Direção do BE reconquista maioria. Oposição interna ganha força

Concorreram quatro listas à Mesa Nacional do BE - o "parlamento" do partido - e três para a Comissão de Direitos, o órgão jurisdicional.

A moção A concorrente à Mesa Nacional do BE - o "parlamento" do partido" -, afeta à direção do partido, venceu as eleições que decorreram na XII Convenção Nacional do partido, em Matosinhos, mas perdendo vinte pontos percentuais na sua representação para a oposição interna.

Na anterior convenção, em 2018, a direção tinha obtido 70 dos 80 lugares na Mesa Nacional e agora diminuiu essa representação para 54 elementos, obtendo 224 votos num total de 335 votantes (com 340 inscritos e cinco votos brancos). A direção detinha portanto um peso de 87,5% na Mesa Nacional, peso agora reduzido para 67,5%.

A principal moção da oposição interna à direção liderada por Catarina Martins, a Moção E, cuja principais figuras são o ex-deputado Pedro Soares e o militar de Abril Mário Tomé (fundador do partido), obteve 68 votos na votação para a Mesa Nacional, conseguindo 17 eleitos.

Depois ficou a moção N, com 20 votos e cinco eleitos e a seguir a Moção C, com 18 votos e quatro eleitos.

De notar que o deputado Luís Monteiro, a braços com acusações de violência doméstica por parte de uma ex-namorada, decidiu não ir à convenção - e já tinha renunciado à sua candidatura à câmara de Gaia -, não sendo por isso reeleito para a Mesa Nacional. O assunto mereceu zero referências na convenção.

Síntese dos resultados

Mesa Nacional (80 membros)

Moção A (Direção) - 224 votos (54 eleitos)

Moção E (Mário Tomé e Pedro Soares) - 68 votos (17 eleitos)

Moção N - 20 votos (5 eleitos)

Moção C - 18 votos (4 eleitos)

Inscritos - 340 delegados

Votantes - 335 delegados

Votos brancos - 5 delegados

Comissão de Direitos (7 membros, órgão jurisdicional)

Moção A - 220 votos (5 eleitos)

Moção E - 75 votos (1 eleito)

Moção Q - 39 votos (1 eleito)

Votação das Moções

Moção A - 210 votos (tinha chegado à convenção com 233 delegados eleitos)

Moção E - 64 votos (chegou à convenção com 66 delegados eleitos)

Moção C - 17 votos

Moção Q - 7 votos

moção N - 7 votos

O que se segue

Da Mesa Nacional sairá agora, em reunião a marcar, a Comissão Política. Esta, por sua vez, elegerá a seguir o órgão executivo de direção diária do BE, o Secretariado Nacional.

A moção A, da atual liderança, apresentou à Mesa Nacional uma lista de continuidade e sem grandes novidades.

Entre os primeiros dez nomes estão a atual coordenadora, Catarina Martins, o líder parlamentar (atualmente em licença de parentalidade) Pedro Filipe Soares, a eurodeputada Marisa Matias e os deputados Jorge Costa, Joana Mortágua, Fabian Figueiredo (que está a substituir no parlamento Pedro Filipe Soares), Mariana Mortágua, José Soeiro, Isabel Pires e José Manuel Pureza.

O historiador Miguel Cardina, investigador do Centro de Estudos Sociais, e o economista Alexandre Abreu, que concorreu às últimas europeias pelas listas do BE e será cabeça de lista à Assembleia Municipal de Cascais, são algumas das caras novas que a lista da moção A apresentou, enquanto a antiga deputada pelo BE Helena Pinto é uma das saídas a assinalar.

Já a moção E, promovida pelos críticos do movimento "Convergência", e que conseguiu agora 17 eleitos na Mesa Nacional, apresentou como número um Ana Sofia Ligeiro e como número dois o histórico major Mário Tomé. Mais abaixo na lista da moção E a este órgão, aparece o ex-deputado Pedro Soares, que na anterior convenção foi eleito para a Mesa Nacional pela lista de Catarina Martins, mas que, entretanto, está afastado da direção e surge no grupo dos críticos.

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