Dinheiro da ONG de Passos era todo gasto com pessoal

Os números foram apresentados, em 1998, pelo próprio Centro Português para a Cooperação (CPPC): num total de 15 600 contos (75,8 mil euros) de donativos, mais de 90% daquele valor (14 542 contos, 72 mil euros) estavam destinados a pagar a "colaboradores".

O número dos tais colaboradores não está identificado no Relatório de Atividades de 1998 da ONG criada, entre outros, por Pedro Passos Coelho e da qual o atual primeiro-ministro admitiu ter recebido despesas de representação ao mesmo tempo que era deputado em regime de exclusividade.

O tal Relatório de Atividades de 1998 está atualmente depositado nos arquivos dos Instituto Camões que, após a extinção do Instituto de Apoio ao Desenvolvimento (organismo onde eram registadas as ONG"s), ficou com as competências deste último.

No que diz respeito às contas de 1997 e 1998 (o CPPC foi fundado em Outubro de 1996), as despesas com pessoal, depois de ficarem a zeros, em 1997, crescem para 3200 contos (16 mil euros) no ano seguinte. Sendo que, para 1999, dão um enorme salto para os tais 72 mil euros.

Recorde-se que, no Parlamento, Pedro Passos Coelho admitiu ter recebido apenas "despesas de representação" após apresentação de faturas do CPPC, não divulgando qual o valor total das mesmas.

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