Desconfinamento. A pressão aumenta (mas o Rt também...) 

Aumenta a expectativa sobre a reunião do Infarmed marcada para a próxima segunda-feira. O desconfinamento é cada vez mais exigido - mas a evolução do Rt não ajuda.

No português retorcido de quem escreveu o último boletim do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), o que está a acontecer é "um desacelerar da tendência de decrescimento da incidência de SARS-CoV-2".

Dito de outra forma: está a aumentar outra vez o índice de transmissibilidade que quantifica o número médio de contágios que resultam de um infetado, o famoso Rt. No relatório do INSA de 26 de fevereiro era de 0,68; no relatório desta sexta-feira tinha subido para 0,71 (média para os dias de 24 a 28 de fevereiro). E desde 11 de fevereiro que os valores estão a aumentar, invertendo-se uma tendência de "redução acentuada" que se tinha iniciado a 18 de janeiro e prolongado por 25 dias (desceu de 1,16 para 0,61).

O facto de o Rt estar agora a subir depois da tal "redução acentuada" é o que leva o INSA a dizer que se verifica o tal "desacelerar da tendência de decrescimento". O instituto avisa que um aumento de 0,25 "indica o início de uma nova fase de crescimento da incidência de SARS-CoV-2". No conjunto do país, as piores situações são a da Madeira (1,15) e a dos Açores (1,02).

Os números do Rt são considerados no governo decisivos para decisões de confinamento/desconfinamento, tanto como os que mostram a pressão sobre o SNS e ainda o número de casos por mil habitantes em períodos de 14 dias.

A evolução negativa do Rt nos últimos dias surge como aparentemente contraditória com uma redução sustentada - e a pique - iniciada no final de janeiro quanto ao números de novos mortos por dia, novos infetados e internamentos hospitalares (ver números ao lado). O que significará é que poucos contagiam mais - e isso muito por força da variante inglesa (que já representando quase 60% das amostras analisadas pelo INSA em fevereiro).

O potencial explosivo de contágio desta variante já levou o epidemiologista Manuel Carmo Gomes a dizer, à Lusa, que "Portugal não está livre de uma quarta vaga" quando desconfinar. O Rt "tem estado a subir devagar, o que significa que estamos a reativar o número de contágios" e "quando começarmos a desconfinar é inevitável que o número de contágios vá aumentar". Carmo Gomes defendeu que o desconfinamento deve ser feito por fases, com base na avaliação do impacto de cada uma dessas fases e sem calendários preestabelecidos.

Turismo reabre em maio

Segundo o Expresso, o primeiro-ministro já terá recebido um primeiro esboço de um plano de desconfinamento que aponta nesse sentido: valorização de critérios em vez de datas (a solução que Rui Rio tem vindo a defender). Numa entrevista à BBC, a secretária de Estado do Turismo disse que "talvez em maio" se possa permitir que o país reabra ao turismo. Tudo será discutido na próxima segunda-feira, em mais uma reunião do Infarmed.

Seja como for, as pressões para desconfinar chovem de todo o lado, sobretudo autarcas e empresários do setor da hotelaria e restauração (algumas centenas juntaram-se ontem junto à Câmara Municipal do Porto exigindo isso mesmo). Todas as dúvidas deverão ficar esclarecidas no anúncio do plano de desconfinamento marcado para dia 11.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG