Deputados portugueses: "Todos somos o Charlie Hebdo"

Parlamento unânime na condenação de ataques ao jornal francês. Declaração será votada na próxima sexta-feira.

A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, iniciou os trabalhos parlamentares, esta quarta-feira à tarde, manifestando a "profunda indignação e o profundo lamento com o que se passou esta manhã em Paris", referindo-se ao ataque ao jornal satírico francês Charlie Hebdo, que fez 12 mortos.

Para Assunção Esteves, "a razão é o fundamento da civilização", não podendo haver lugar a cedências neste capítulo, quando se trata do "exercício de um direito fundamental". A presidente do Parlamento sublinhou - antes de dar a palavra a cada um dos grupos parlamentares - o "enorme sentimento de revolta e de protesto" dos parlamentares portugueses.

O líder parlamentar socialista, Ferro Rodrigues, usaria uma expressão que tem sido veiculada pelos meios de comunicação social e nas redes sociais: "Todos somos o Charlie Hebdo." Para o socialista, o que aconteceu em Paris é "qualquer coisa de impossível de ser explicado à luz de qualquer doutrina". "Ninguém pode fazer o jogo dos terroristas", apontou, "pondo em causa tudo o que foram conquistas civilizacionais".

Antes, o líder da bancada do BE, Pedro Filipe Soares, classificou como "ataque bárbaro, a um jornal, à liberdade de imprensa" o que se passou, pedindo que os grupos parlamentares se entendam "para deixar uma marca inequívoca" na condenação deste ato, num texto a ser votado sexta-feira. "Sem cairmos em ideias fáceis, nem de choque de civilizações nem de religiões."

Uma ideia que o deputado do PSD, António Rodrigues, completou: "Não há religião no mundo que possa defender este ato." E manifestou a "profunda tristeza" da bancada social-democrata, notando depois que "a barbárie não tem qualquer justificação nem pode ter qualquer tipo de defesa".

João Oliveira, que lidera a bancada do PCP, sublinhou a "mais viva condenação" do ataque e de "todas as formas de terrorismo" para sublinhar que "o firme combate ao terrorismo, que deve ser travado, não deve criar novos focos de violência".

"O terrorismo nunca pode ser aceite", concretizaria depois Telmo Correia, do CDS, falando de um "ato de radicais, de extremistas, que ocorre no coração da Europa que fazemos parte".

Heloísa Apolónia, de "Os Verdes", condenaria os atentados falando de "um mundo que se indigna".

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