Deputada municipal suspensa por seis anos pelo CDS

A deputada municipal em Oeiras, Isabel Sande e Castro, foi suspensa esta sexta-feira por seis anos pelo conselho de jurisdição do CDS-PP, na sequência das divergências com o candidato indicado pelo partido para a câmara.

"Ainda não tive conhecimento da decisão e por isso não vou comentar", afirmou à agência Lusa a presidente cessante da concelhia de Oeiras do CDS, Isabel Sande e Castro.

A autarca eleita pelo CDS e a mandatária das listas do partido em Oeiras foram suspensas por seis anos, enquanto outros cinco militantes, de um grupo de 11 que decidiu abandonar a candidatura à câmara de Paulo Freitas do Amaral, ficam suspensos por quatro anos.

O processo disciplinar resulta de divergências da concelhia de Oeiras, então presidida por Isabel Sande e Castro, pela escolha da direção do CDS de Paulo Freitas do Amaral, ex-presidente da Junta de Freguesia da Cruz Quebrada e Dafundo, como cabeça de lista no município às autárquicas de 2013.

Um grupo de 11 elementos decidiu abandonar a lista da candidatura de Paulo Freitas do Amaral para a câmara, enquanto Isabel Sande e Castro se manteve como candidata à Assembleia Municipal de Oeiras, vindo a ser eleita.

O conselho de jurisdição do CDS decidiu agora a suspensão de sete dos elementos que abandonaram a lista para a câmara -- os restantes não eram militantes ou deixaram o partido -- por entender que houve "premeditação" da concelhia na tentativa de boicote ao candidato escolhido pelo partido.

No processo a que a Lusa teve acesso, o presidente do partido, Paulo Portas, negou ter sido avisado pela então presidente da concelhia da intenção de abandonar a lista para a câmara.

A decisão também não valorizou as justificações dos desistentes que apontaram alegadas irregularidades detetadas na gestão da Junta de Freguesia da Cruz Quebrada-Dafundo, quando era presidida por Paulo Freitas do Amaral.

"Estava à espera de uma pena mais pesada para a presidente da concelhia", admitiu Paulo Freitas do Amaral, questionado pela Lusa sobre a decisão do CDS, que defendeu que se justificava um agravamento da pena "devido ao prejuízo para a imagem do partido" nas eleições autárquicas.

O candidato à câmara não conseguiu ser eleito nas eleições de 29 de setembro e considerou adequadas as penas para os outros militantes, por entender que "foram instrumentalizados pela presidente" da concelhia.

Apesar de ainda não conhecer a decisão, Isabel Sande e Castro notou que o processo não está fechado e "juridicamente não há qualquer consequência em relação à assembleia municipal", uma vez que foi eleita "com mais de 50% dos votos que o candidato [do CDS] à câmara".

Um grupo de militantes solicitou entretanto ao conselho nacional de jurisdição a expulsão de elementos da concelhia de Oeiras que se opuseram à candidatura de Paulo Freitas do Amaral.

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