Demissão do Governo é uma "exigência sanitária"

O advogado e dirigente do PCTP-MRPP António Garcia Pereira defendeu hoje, no Porto, a demissão do Governo, considerando ser uma questão de "salvação do país" e uma "exigência sanitária".

"É preciso correr com este Governo e criar um governo democrático, patriótico", defendeu Garcia Pereira, que falava aos jornalistas no âmbito da sua participação numa conferência organizada pela Federação Académica do Porto (FAP) sobre "Formação e Discussão para a Promoção do Emprego Qualificado".

Para Garcia Pereira, todas as medidas tomadas pelo Governo liderado por Pedro Passos Coelho "obedecem a uma lógica que é a do empobrecimento drástico da população portuguesa".

"Um país que não tem nenhuma produção instalada é um país que não pode criar emprego. Tudo o que não seja mudar radicalmente e profundamente a lógica da política económica do país é semear ilusões", frisou.

Garcia Pereira criticou as privatizações, os aumentos de impostos e "os abaixamentos dos salários", considerando que o desemprego é atualmente "o maior problema do país", e estimando que atinga já, "em números reais, cerca de 1,5 milhões de pessoas".

Na sua opinião, Portugal deve "rejeitar o pagamento de uma dívida que não foi o povo que pediu e que não foi contraída em seu benefício".

O advogado disse ser necessário "rejeitar a política da 'troika' internacional de ajuda financeira a Portugal que "consiste em destruir o pouco que resta da capacidade produtiva do país, em baixar brutalmente os salários, em elevar os impostos sobre quem trabalha, empobrecer e endividar ainda mais o país".

Garcia Pereira, que já foi candidato à Presidência da República, afirmou que "um Governo cuja política é esta naturalmente servirá para aqueles cuja riqueza não cessa de aumentar".

"É preciso dizer que a crise não é para todos e que Portugal é o país da União Europeia com maior índice de desigualdades sociais, e é também dos países que aplicaram medidas de austeridade aquele em que o maior peso do suporte das consequências da crise recaiu sobre as costas dos mais pobres. Naturalmente que um governo que assim atua tem que ser rapidamente arredado", lembrou.

Portugal tem que "recuperar a sua liberdade", não pagando a dívida e aproveitando as suas "capacidades produtivas", como a sua localização "geoestratégica", a indústria, a agricultura, as minas e as pescas.

Se Portugal rejeitasse a dívida, disse, "recuperaria a sua liberdade" e os portugueses passariam "porventura por períodos difíceis", mas não piores do que os atuais.

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