Défice de 0,5% será "desgraça social" para Portugal

O líder parlamentar do BE, Luís Fazenda, defendeu hoje que a consagração legal de um défice de 0,5 por cento será a "desgraça social" de Portugal, constituindo uma "irresponsabilidade política", que será responsável pela "desagregação europeia".

"O défice de 0,5 permanente, eterno, é uma desgraça social para este país, e ninguém pode fugir disto. Estamos hoje com um programa de austeridade gravíssimo, que todo o país conhece, que todos sofrem com ele e estamos a discutir défices da ordem de 5,9 de 4,5, não estamos a falar de 0,5", defendeu Luís Fazenda.

O líder da bancada bloquista falava no encerramento de um debate de urgência pedido pelo Bloco sobre as conclusões do Conselho Europeu.

Para Luís Fazenda, um défice de 0,5 por cento é "o testamento da irresponsabilidade política, é o testamento da desagregação europeia", porque "ninguém vai aguentar medidas desse género".

O BE insiste na necessidade de um referendo à política europeia e considera "absolutamente extraordinário que o Partido Socialista discuta apenas onde se põe os 0,5 por cento", quando "o problema não é onde se põe os 0,5 por cento, o problema está nos 0,5 por cento".

"Essa lei de valor reforçado é uma lei de bronze, mas os 0,5 por cento ficam lá", afirmou.

Fazenda lembrou ao ministro dos Negócios Estrangeiros que "nenhum Governo de direita em Portugal cumpriu os critérios hoje enunciados pela senhora Merkel", nem o Executivo integrado no passado por Paulo Portas e chefiado pelo actual presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

"Isto é tudo um mundo novo, inclusivamente para o dogmatismo, o fundamentalismo radical da direita e que hoje estamos a assistir nesta onde europeia e que é aqui sufragada pelo senhor ministro", argumentou.

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