Declarações do primeiro-ministro são "graves" e "surpreendentes"

O deputado socialista Pedro Marques considerou hoje surpreendentes e graves as declarações do primeiro-ministro de que o desemprego pode ser uma oportunidade para os portugueses.

O primeiro-ministro apelou hoje aos portugueses para que adotem uma "cultura de risco" e considerou que o desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser "uma oportunidade para mudar de vida".

Passos Coelho referiu que "estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade".

Pedro Marques, ex-secretário de Estado da Segurança Social, considerou "absolutamente surpreendente" as declarações feitas "num momento destes" em que o desemprego ultrapassou os 15 por cento.

"Isto é muito grave e de uma grande insensibilidade, estas declarações, num país com uma taxa historicamente elevada de desemprego, em que as pessoas não têm oportunidades de emprego", disse o deputado socialista à agência Lusa.

O ex-governante considerou ainda que as declarações de Passos Coelho "são um remake" do que ele tinha dito há uns meses aos portugueses, para que deixassem de ser piegas.

"É para nós incompreensível que o primeiro-ministro diga que o desemprego pode não ser uma coisa negativa quando estamos com um desemprego superior a 15 por cento e a Comissão Europeia diz que vai permanecer acima dos 15 por cento nos próximos dois anos", afirmou, lembrando a existência de mais 170 mil desempregados desde que o Governo assumiu funções.

"É preciso dizer basta a esta atitude do Governo", acrescentou Pedro Marques.

O deputado aconselhou Passos Coelho a interpelar algum desempregado sobre as escolhas que tem em termos de emprego e alertou para o facto de maioria dos desempregados, tendo em conta a situação do país, só terem "a direção da pobreza generalizada".

"Escolhas tem o Governo: implementar políticas eficazes para manter o emprego e combater o desemprego", disse acusando o Governo de nada fazer a não ser previsões de desemprego que falham sucessivamente.

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