Décima comissão de inquérito parlamentar vai avançar

CDS e PSD acordaram criar a décima comissão parlamentar de inquérito sobre a queda do avião que, em 1980, causou a morte do então primeiro-ministro, Sá Carneiro, devendo formalizar a proposta nos próximos dias, disse hoje um deputado.

"Há consenso sobre o texto da proposta já há algumas semanas", acrescentou o parlamentar, que pediu para não ser identificado.

Os dois partidos que formam a maioria parlamentar de direita que apoia o atual governo já haviam manifestado disponibilidade para criar uma nova comissão de inquérito e o PS, segundo maior partido, afirmara que não se oporia a qualquer iniciativa nesse sentido.

Fonte da bancada socialista confirmou hoje à Lusa que mantém essa posição e não vai inviabilizar a inicitiva do PSD e do CDS.

Depois de entregue, a proposta conjunta de centristas e sociais-democratas deverá ser votada em plenário do prazo de 15 dias.

Já a entrada em funcionamento da comissão não deverá ocorrer antes de setembro, acrescentou a mesma fonte.

A justificação é a grande atividade com que se deparam atualmente os deputados, com dois inquéritos a decorrer para lá da habitual agenda: as comissões para investigar as parcerias público-privadas, conhecidas por PPP, e o processo do BPN.

Por isto, terá sido acordado que o grupo de deputados que vai prosseguir as inquirições sobre Camarate deverá apenas começar a funcionar quando uma daquelas duas comissões terminar a sua atividade, disse ainda.

A situação afetará principalmente os grupos com menos deputados, casos dos partidos que se sentam à esquerda do PS: PCP, Bloco de Esquerda e "Verdes".

A X comissão de Camarate, atendendo às regras que vigoram no Parlamento, deverá ser presidida por um eleito do PSD.

A anterior Comissão de Inquérito a Camarate, presidida por Ricardo Rodrigues e tendo como relator José Ribeiro e Castro, foi interrompida no ano passado, com a dissolução da Assembleia da República.

Em abril passado, Farinha Simões, que afirma ter sido um quadro da agência de espionagem norte-americana CIA até 1989, divulgou um texto a que chamou confissão no qual diz ter organizado o atentado em que morreu o então primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro.

Num texto com 18 páginas colocado na internet (youtube), o atual recluso, a cumprir 6,5 anos de prisão por sequestro, justifica só agora ter confessado a sua intervenção - no que garante ter sido um atentado - por já não correr o risco de ser julgado e por já não estar obrigado ao sigilo que a CIA impõe aos seus anteriores quadros.

Por outro lado, diz ter decidido "falar por obrigação de consciência", escreve no início da alegada confissão por si assinada e que entregou a outro dos envolvidos no caso Camarate, José Esteves.

Na sua versão, terá sido ele, a mando da CIA, que contratou José Esteves para fabricar a bomba que foi colocada no avião por Lee Rodrigues, cujo paradeiro se desconhece.

Farinha Simões chegou a ser ouvido no Parlamento numa anterior comissão de inquérito, em 1995, quando se encontrava também detido, nessa altura condenado por tráfico de droga.

No relato datado de 26 de março passado, Farinha Simões conta que a "operação de Camarate" custou entre 750 mil e um milhão de dólares, pagos com cartões de crédito que usava e que lhe estavam atribuídas pela CIA.

Francisco Sá Carneiro faleceu na noite de 04 de dezembro de 1980, quando o avião em que seguia se despenhou em Camarate, pouco depois da descolagem do aeroporto de Lisboa.

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