Debate interno no PS salta para as redes sociais

João Assunção Ribeiro, porta-voz do secretariado nacional do PS, respondeu no Facebook a críticas de Paulo Pedroso, ex-número dois do partido, fez no DN à proposta de revisão dos estatutos que a direcção quer discutir e votar no próximo sábado, numa reunião da Comissão Nacional dos socialistas.

Em causa está o facto de Pedroso ter dito que era um "golpe aparelhístico" a ideia - reconfirmada ao DN há momentos pelo secretário nacional de Organização, António Galamba - de diretas sem método proporcional para a escolha pelas bases das listas de círculo de candidatos a deputados (o chamado método do 'vencedor leva tudo': a lista que vencer define todos os candidatos mesmo que vença sem maioria ou apenas por escassa margem face a listas concorrentes).

"Depois de seis meses de debate, mais de 100 reuniões e plenários, com politólogos e militantes, com um endereço de mail para sugestões disponível para todos os portugueses, com dois meses de debate virtual no site do PS à vista de todos, o que é chamada a primeira página [do DN de hoje] é a opinião de um militante, que não enviou nenhum contributo e que afirma uma coisa que não existe na proposta de estatutos", escreveu João Assunção Ribeiro.

Que acrescentou: "É notável como tão poucos têm tanto poder. A proposta (sim, é uma proposta que será votada ponto por ponto) não é da direcção nacional mas dos mais de 10000 militantes que participaram nos debates. O Paulo Pedroso não tem razão nem no conteúdo nem na forma como expôs a sua opinião. Transformar tudo em plebiscito à direcção nacional só terá um resultado, para todos, e sob todos os pontos de vista."

Paulo Pedroso respondeu também no Facebook: "Se eu emitir opiniões de que discordam é coisa que os irrite, apenas tenho a pedir-lhes que se habituem. Costumo dizer o que penso sem me preocupar em saber se é agradável a qualquer direcção do Partido Socialista."

O dirigente socialista sublinha, aliás, que Sócrates também "várias vezes" se irritou com as suas opiniões. Só que "teve mais fair-play" do que a atual direção do PS demonstra agora. "Tenham calma e não vejam fantasmas atrás das portas. Como todos sabemos, os estatutos duram a eternidade de cada ciclo político."

Pedroso concluiu o seu texto com um apelo: "Espero que a energia para as palavras contundentes [da atual direção do PS] não seja guardada para os debates sobre a quintessência estatutária, mas para a diferenciação política da esquerda democrática em relação ao caminho do actual governo, retirando-lhe qualquer margem para usarem o PS contra o PS."

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