Daniel Oliveira contra "liderança bicéfala" para Bloco

O ex-dirigente bloquista Daniel Oliveira disse hoje discordar que o partido tenha "uma coordenação bicéfala" e que essa solução "fragiliza" os sucessores de Francisco Louçã, defendendo que estes devem ter as mesmas condições do seu antecessor.

"Qualquer solução que acrescente, à dificuldade natural desta sucessão e dos combates que se adivinham, sinais de fragilidade é uma injusta herança que se deixa a quem aceitar assumir tal responsabilidade", refere o bloquista, num texto publicado hoje no blogue "Arrastão".

No texto, intitulado "Um coordenador para o Bloco com as mesmas condições de trabalho do seu antecessor", Daniel Oliveira, um dos fundadores da Política XXI, uma das principais correntes do BE, considera que "uma coordenação bicéfala não corresponde, neste momento, às necessidades" do partido, independentemente dos nomes referidos por Francisco Louçã [João Semedo e Catarina Martins], que diz serem muito do seu agrado.

"Dizer que um modelo de liderança a dois é uma solução moderna e que não se pode dirigir o partido como se estivéssemos no século XIX faz pouco sentido, não vejo como se pode defender como única solução aceitável para a liderança dos outros o que não aplicámos à nossa. Quando o BE elegeu formalmente o seu último coordenador já estávamos no século XXI. Se o BE viveu bem com um único coordenador não vejo porque não pode, subitamente, continuar a viver", sustenta o antigo dirigente do BE e comentador político.

Oliveira diz ainda que "a sucessão de um líder marcante" como Louçã, com "características próprias que moldaram a natureza do cargo de coordenador, ao fim de 13 anos de liderança, tornam o trabalho do futuro coordenador do BE especialmente complexo" e por isso "o partido não deve passar a ideia de que o seu atual coordenador é insubstituível".

"Para não passar essa ideia [o BE] deve eleger um coordenador que tenha as mesmas condições de trabalho que foram dadas ao seu antecessor, é o mínimo que se pode pedir. As dificuldades que se avizinham, que implicam escolhas difíceis, que, como é natural em qualquer partido, podem causar algumas fraturas internas, precisam de uma liderança que seja um fator de unidade", advoga.

Daniel Oliveira considera que "uma unidade forte" e "que se possa fortalecer aos olhos dos militantes e dos cidadãos" não passa pela "solução bicéfala" ou "tricéfala" (se se acrescentar a liderança parlamentar), que gera "confusão, descoordenação e enfraquece o partido", e levará, antecipa, a que a comunicação social acabe por escolher informalmente um "líder mediático".

"Todos sabíamos que uma sucessão de um líder carismático, que teve tantos anos à frente de um partido ainda jovem, seria difícil. Outros partidos passaram pelo mesmo e souberam resolver essa dificuldade. Qualquer solução encontrada, ainda mais num partido com muitas sensibilidades (o que é a sua riqueza), encontraria oposições e apoios (...) Empurrar o problema com a barriga, optando por uma solução que fragiliza quem tenha de coordenar o partido nos próximos anos, é criar um problema mais grave", reforça.

O bloquista rejeita ainda falar sobre nomes para a futura liderança do partido, considerando no entanto que "não faltam dirigentes com a capacidade de transmitir a mensagem do BE com eficácia" e deixando um elogio implícito a João Semedo e Catarina Martins, "referidos por quem lançou este debate".

"Fico muito satisfeito por recolherem tanta simpatia e apoio, o que deveria ser a prova de que é possível uma sucessão sem dramas", afirma.

Para o bloquista, "seria lamentável que as suas enormes capacidades fossem prejudicadas por uma solução que os enfraquece à partida": "Não pode faltar, muito menos agora, a coragem de fazer escolhas. E é por escolhas claras que me baterei na próxima convenção".

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