"Costa quebrou a confiança dos portugueses e PR está a pedir que fale verdade"

O eurodeputado e vice-presidente do partido Paulo Rangel acusa António Costa de "maquiavelismo" no corte das pensões e afirma que é preciso que os governantes, nesta crise, sejam verdadeiros.

"O que o primeiro-ministro fez é moralmente maquiavélico", afirma ao DN Paulo Rangel sobre o pacote de ajuda às famílias devido à inflação. O vice-presidente do PSD e eurodeputado insiste que o "corte encapotado de mil milhões nas pensões, sobretudo num momento de crise, fez Costa quebrar a confiança com os portugueses". Rangel assume que este tem de ser um ponto a não deixar cair pela oposição nem pelo seu líder, Luís Montenegro.

Paulo Rangel, que participa em Ponta Delgada, no 1.º Encontro Interparlamentar do PSD, vê na insistência do Presidente da República para se conhecer as projeções económicas para o próximo ano precisamente a "procura dessa verdade".

"O que Marcelo Rebelo de Sousa está a fazer neste momento, com a prudência a a subtileza que o cargo lhe impõe, é pedir repetidamente ao Governo para que fale verdade". Porque, insiste, "que autoridade moral tem um primeiro-ministro para aproveitar, num momento de oportunismo e esperteza, um pacote de ajuda para iludir um corte que vai fazer?"

Num Governo que diz "esgotado e de forma que não se podia imaginar em tão pouco tempo", Paulo Rangel afirma que as projeções económicas demonstrarão que a guerra na Ucrânia tem um custo para a Europa que não é possível mitigar. Nem com o "ilusionismo" de António Costa.

"É preciso dizer às pessoas que o que está em causa na guerra da Ucrânia é o novo modo de vida, uma ameaça existencial que está a matar gente todos os dias, e que tem um custo", sublinha. O custo palpável na subida da inflação e das taxas de juro.

Mas essa defesa da democracia europeia, que conjuga as liberdades e garantias dos cidadãos com o Estado-social, é essencial para o eurodeputado social-democrata e "deve ser explicada aos cidadãos", antes que se gere cansaço e desespero perante o agravamento da crise económica. "Os movimentos de extrema-direita estão a crescer e encontram terreno fértil se os governos não falarem verdade às populações", assegura.

O dirigente do PSD critica ainda o facto de Costa, "amigo de Macron" não ter nenhuma influência junto do presidente francês no que diz respeito às interligações energéticas da Península Ibérica. "Tão amigo e seguidista que é de Macron e não o consegue convencer", diz. Porque, afirma, além da necessidade de um "pacote robusto de apoio às famílias" é preciso que os países invistam no longo prazo para sair desta dependência energética da Rússia e "sem egoísmos nacionais como o da França".

Para Paulo Rangel "dificilmente não haverá" uma resposta europeia à crise inflacionária e à recessão económica pré-anunciada. "Mas para já o que há é a Comissão Europeia a aconselhar um redirecionamento dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)". Mas, garante, "o Governo português tem demonstrado total incapacidade na gestão destes fundos, que estão a ser usados para o investimento público em vez de servir para o apoio à economia e às empresas". A gestão do PRR, frisa, "é um fracasso total".

Para o encerramento deste 1.º Encontro Interparlamentar do PSD veio o líder social-democrata até Ponta Delgada, onde no jantar que decorreria à hora de fecho desta edição prometeu voltar à carga nas críticas ao Governo por causa dos ziguezagues sobre a descida de impostos, nomeadamente o IRC.

Durante duas visitas a uma empresa e a uma exploração agrícola de S. Miguel, Luís Montenegro voltou à ideia de que é preciso ir ao encontro dos problemas dos portugueses. "Alguns agentes políticos têm falta de contacto com a realidade", afirmou.

paula.sa@dn.pt

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