Costa decidiu sozinho a saída da Câmara de Lisboa, diz Ferro

Líder parlamentar socialista diz que António Costa tomou a decisão sem debate interno, nem pressões de sondagens ou do resultado na Madeira, o líder socialista renunciou à autarquia.

António Costa decidiu sozinho a saída da Câmara de Lisboa, sem debate interno, nem estar condicionado por sondagens ou os resultados eleitorais na Madeira, apontou esta quarta-feira à tarde o líder parlamentar socialista.

Para Ferro Rodrigues, "esta decisão foi completamente tomada por ele, não houve qualquer debate, nem isso faria sentido, porque está em causa não apenas a sua própria responsabilidade política a dois níveis, como presidente da Câmara e secretário-geral, como também a sua vida pessoal durante os próximos meses. Como tal, só ele podia definir o momento exato, que não teve a ver com nenhuma questão de sondagens ou eleições". E com humor acrescentou: "A decisão de António Costa foi tomada pelo próprio, é uma decisão clara e positiva, e uma forma de comemorar o 1º de abril como dia da verdade e não como dia das mentiras."

Falando à Lusa, Rádio Renascença e DN, depois do debate quinzenal, no Parlamento (onde já tinha dito em resposta ao primeiro-ministro que era "uma honra" Costa, o líder da bancada do PS notou que "o princípio do mês é um bom momento para se tomarem decisões". Ferro Rodrigues preferiu sublinhar que "a Câmara fica muito bem entregue a Fernando Medina", para logo caracterizar o antigo deputado: "É alguém que conhecemos bem do grupo parlamentar do PS, grande quadro político e de grande competência como economista. O facto de António Costa poder dedicar-se a 100 por cento à sua função de secretário-geral do PS é para todos nós uma excelente notícia, visto que nos próximos seis meses a palavra de ordem dele 'Mobilizar Portugal' vai ter de ser posta em prática para que o país possa mudar significativamente nas próximas eleições legislativas", defendeu.

O líder parlamentar socialista também rejeitou que as sondagens tenham levado Costa a antecipar eventualmente a sua saída de Lisboa. Ou os resultados eleitorais do último domingo na Madeira. "As sondagens não têm grande significado nesta altura. Nas últimas eleições legislativas, por exemplo, a dez dias do ato eleitoral, estava tudo ainda muito próximo, taco a taco. Há ainda uma pré-campanha, uma campanha, um conjunto de decisões que muitos eleitores tomam nos últimos dias e que depende da dinâmica que é criada meses antes. Mas não houve qualquer pressão das sondagens, pelo contrário", defendeu Ferro Rodrigues.

Para o futuro, a articulação com o partido e o grupo parlamentar será reforçada, admitiu o líder da bancada do PS. "António Costa foi sempre uma pessoa extremamente consciente e responsável pelos seus atos e com a ideia que tinha de cumprir até ao limite as suas funções. Como não é possível ter o dom da ubiquidade, agora pode estar mais tempo dedicado ao partido e também a ligação com o Grupo Parlamentar será ainda maior do que tem sido. Agora haverá a possibilidade de um maior acompanhamento e de uma maior presença do António Costa no parlamento, o que nos dá um conforto maior", disse.

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