Costa crítica e Alegre reforça: PCP e BE fazem "frete à direita"

Costa perdeu a paciência com as críticas de que tem sido alvo pelos partidos à esquerda do PS. À noite Alegre carregou nas tintas.

Quem abriu as hostilidades foi o próprio António Costa. Em Setúbal, cidade com câmara comunista, o líder do PS, participando num almoço com apoiantes num largo no centro da cidade, rompeu o silêncio que tem devotado aos partidos à esquerda do PS.

Depois de se queixar de o PS estar "sozinho a enfrentar a direita", salientou que o partido não tem, no entanto, "desperdiçado" a sua "energia" a "defender-se dos ataques" de que tem sido alvo pelos partidos à sua esquerda.

E prosseguiu: "Na segunda-feira [depois das legislativas] já podem [o PCP e o BE] fazer o que sabemos que vão fazer, dizer "Costa rua". Mas nestas eleições o que está em causa é pôr Passos Coelho na rua!" Assim, apelou, "o mínimo" que comunistas e bloquistas podem fazer "é que concentrem a sua energia na direita". Horas depois, num comício de sala cheia numa sala da Feira Internacional de Lisboa do Parque das Nações que aqueceu o coração dos organizadores da campanha, foi a vez de o histórico socialista Manuel Alegre retomar o tema. E fê-lo carregando nas tintas: "Para alguns o PS é o inimigo" e "o que eles [PCP e BE] estão a fazer é um grande frete à direita!" E "dir--se-ia que preferem a direita no poder mesmo que isso implique mais sofrimento dos seus apoiantes".

Assim, garantiu, o que importa é reafirmar prioridades: "Não estamos neste combate para derrotar os outros partidos da esquerda. Estamos para derrotar a coligação de direita." E dado que "a direita não desperdiça votos", Alegre fez um apelo: "Não desperdicem os votos. Só o PS e António Costa estão em condições de derrotar a direita. O PS não tem medo de chantagens nem de sondagens. O PS não se rende e vai à luta!"

Alegre explicou as dificuldades que o PS tem sentido para se afirmar dizendo que é por estar "a lutar contra poderosíssimos interesses económicos, financeiros e mediáticos": "O PS não tem bancos, não tem jornais, não tem empresas de jornais, mas tem história e António Costa é o garante de uma mudança." Pediu também ao partido que se una em torno do seu líder: "Está toda a gente apostada em bater em António Costa e isso é um ataque a cada um de nós."

O comício da FIL ficou ainda marcado pela intervenção de Basílio Horta. Este antigo fundador do CDS, hoje presidente da Câmara Municipal de Sintra eleito numa lista PS, acabou por retomar a ideia de António Costa que mais desgaste provocou ao líder socialista nesta campanha: a de que um Orçamento do Estado para 2016 apresentado por uma coligação PSD-CDS sem maioria terá o voto contra do PS.

Tal como Alegre depois, Basílio Horta também não poderia ter sido mais claro. "Mas queriam o quê, que [António Costa] fosse hipócrita? Se aparecer um orçamento que for a cara deste governo [...] obviamente que o PS teria de votar contra, em nome dos seus princípios!"

Num dia também marcado por uma arruada falhada no Barreiro e outra, pelo contrário, bem mobilizada em Lisboa - a tradicional descida da Morais Soares, entre as praças Paiva Couceiro e do Areeiro -, um outro "senador" do PS se associou à campanha.

No almoço de Setúbal, Jorge Coelho construiu toda a sua intervenção em torno da sigla da coligação PSD-CDS (PAF, Portugal à Frente) como se fosse um estribilho. "Estamos na hora do ajuste de contas", disse. Acrescentando: "Querem que sejamos PAFes? Eu não acredito."

Jorge Coelho também bateu na tecla do voto útil de esquerda no PS "Não há muito a fazer: ou votam no PS para dar condições de governo, ou não votam no PS - mesmo que entendam que estão virados para votar noutras forças que também combatem o governo - e na segunda de manhã vão constatar o mesmo governo durante quatro anos e que o seu voto não serviu para grande coisa." "Isto tem de ser a sério e a valer: tem de haver uma concentração de votos à volta do PS."

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