Corrente de deputados quer "regressar às origens"

Luís Fazenda e Helena Pinto criaram um documento que pede ao BE para "regressar às origens" e um aumento da democracia interna.

A corrente bloquista de Luís Fazenda (ex-UDP, um dos partidos fundadores do BE) Esquerda Alternativa reúne-se sábado para discutir contributos à Convenção Nacional de 22 e 23 de novembro, pedindo o BE "de volta" e que o partido se recuse a "embelezar" um governo PS.

O documento, intitulado "Bloco de volta - Recuperar a Confiança", subscrito pelos deputados Luís Fazenda e Helena Pinto, e pelos dirigentes Humberto Silveira e Sandra Cunha constata que o partido está "enredado num ciclo de consecutivas derrotas eleitorais" e que "perdeu um significativo capital de confiança, também por culpa própria".

"Urge regressar às origens e recuperar a identidade do Bloco num novo contexto político." afirmam os subscritores, que mantém que o partido deve direccionar-se ao socialismo. "A promessa inicial do Bloco foi a de `nada esperar do PS e não ficar à espera do PCP". Essa é a identidade que temos de recuperar", propõe aquela corrente.

"Não obstante o apoio popular ao PS de setores da esquerda com quem devemos dialogar, é errado desejar que o Bloco possa embelezar um governo "à Hollande" em Portugal.", defendem.

Entre as medidas para aumentar a democracia no partido, a corrente de Luís Fazenda propõe a consagração do mecanismo de referendo, que passaria a poder ser convocado por 5 por cento do total dos militantes, e que a decisão sobre o apoio a uma candidatura presidencial seja tomada recorrendo a esse mecanismo de referendo interno.

Os subscritores criticam duramente a direção do partido ao apontar erros como o "apoio indevido a Manuel Alegre" nas anteriores eleições presidenciais e a apresentação de uma moção [na anterior legislatura] em que "se pediu à direita para que não derrubasse o governo Sócrates".

As principais propostas da corrente Esquerda Alternativa são a desvinculação do tratado orçamental, a nacionalização dos bens comuns privatizados, uma reforma fiscal que "tribute o capital que seja fator de redistribuição de riqueza" para "baixar os impostos" pagos pelos trabalhadores, e a criminalização do enriquecimento ilícito de quadros do Estado.

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