Contabilista diz que foi Salgado a pedir a ocultação de passivos

Machado da Cruz afirma na comissão de inquérito ao BES que o antigo presidente do banco sabia da maquilhagem de contas na Espírito Santo International. E revela que a 7 de janeiro de 2014 pediu a demissão.

Era a audição mais aguardada de todas desde que Ricardo Salgado passou pelo Parlamento e Francisco Machado da Cruz, o até então desconhecido contabilista do Grupo Espírito Santo (GES), está a confirmar que a sua versão da história é muito diferente daquela que contou o ex-presidente do BES.

O DN apurou que o comissaire aux comptes, que está esta quinta-feira a ser ouvido pelos deputados, disse estar arrependido por ter ocultado o buraco de 1300 milhões de euros na Espírito Santo International (ESI), holding do grupo, mas que o fez por lealdade ao universo Espírito Santo e, em particular, ao ex-"dono disto tudo". Terá sido, de resto, Salgado a pedir a Machado da Cruz que manipulasse os números desde 2008, quando todo o esquema começou.

Machado da Cruz, na sua exposição inicial, terá mesmo dado conta de que chegou a pedir a Salgado que contasse a verdade ao comité de auditoria ao BES. O banqueiro não terá acedido e forçou-o a vender a tese de que tudo não tinha passado de um erro.

Já a 7 de janeiro do ano passado, Machado da Cruz enviou um e-mail a Salgado onde dizia não ter condições para continuar a tratar da contabilidade do GES e, por isso, pediu a demissão.

Machado da Cruz está a ser ouvido na sala seis da Assembleia da República à porta fechada, uma vez que, tal como José Castella, invocou a condição de arguido num processo que está sob segredo de justiça.

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