Constitucional trará "problemas" ao próximo Governo

O socialista António Vitorino recusou esta quarta-feira à noite que o Tribunal Constitucional seja uma "força de bloqueio ou de oposição". E antecipou que PSD vai "divertir-se imenso" com o que o Tribunal fará "a um Governo PS"

"Quando a História nos der o distanciamento, não creio que seja justo dizer que o TC foi uma força de bloqueio ou uma força da oposição." Não subscrevendo toda a jurisprudência constitucional, António Vitorino - que falava num jantar-conferência da Universidade de Verão do PSD - antecipou que as decisões do TC "vão criar problemas para o próximo Governo". "E não vos escondo quem é que eu quero que esteja no próximo governo", atirou o socialista, provocando risos entre a plateia de uma centena de jovens sociais-democratas. "Esta minha preocupação não é totalmente altruísta", acrescentou entre gargalhadas.

Mais à frente, perante a insistência em perguntas sobre o TC (o jantar tinha como tema os extremismos na Europa), Vitorino apontou uma "vantagem". "Quando o PSD passar à oposição, vocês vão divertir-se imenso com o que o TC vai fazer a um Governo PS." Novas gargalhadas e mais aplausos.

Misturando as suas respostas com apartes bem humorados, António Vitorino recusou a afirmação, feita por jovens laranjas, de que há uma "politização do Tribunal Constitucional". "Não vou por aí, tenho muita pena", disse, referindo que na "essência" deste tribunal "está a interpretação da Lei Fundamental", um "exercício que tem obviamente a ver com a política".

"O Governo tentou testar os limites do Tribunal Constitucional. É legítimo. E quando se testam os limites, há duas hipóteses: ou se ganha ou se perde. É verdade que algumas vezes perdeu, mas também algumas vezes o Governo ganhou", apontou, num registo o mais "diplomático" possível atendendo ao facto de não estar "a jogar em casa".

Vitorino sublinhou, no entanto, que "ninguém é bacteriologicamente neutro, os juízes do TC não são feitos numa proveta, não são inseminados artificialmente, são homens e mulheres que têm uma mundividência e essa mundividência é obviamente tributária de certas leituras da vida e do mundo que têm a ver com política".

Sem nunca abrir o jogo sobre o seu partido e a atual situação interna que vive o PS, Vitorino foi interpelado sobre qual poderá ser o papel futuro na política nacional. "No PS, somos um partido muito organizado", começou por dizer entre risos. "A minha tarefa é pôr assim um ar moderado, para ser convidado para a Universidade de Verão do PSD e lançar a confusão para o centro."

Tanta confusão parece ter instalado o socialista que uma rapariga trocou a cor laranja do seu grupo de trabalho (identificados por cores) falando de "grupo verde". Vitorino retorquiu como um aluno que merecia nota máxima. "Existe uma certa confusão no meu partido mas se a coisa estivesse mais organizada eu levava um 'mais'. Consegui que alguém confundisse o laranja com o verde!"

Já no final, aos jornalistas, Vitorino - que foi mandatário nacional da lista do PS às eleições europeias - não esclareceria quem apoia nas eleições primárias socialistas, usando a arma do humor na resposta. "As eleições são só a 28 de setembro!". Mas sempre foi dizendo que não tem "nenhumas dúvidas" sobre quem escolherá.

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