Marcelo: data de eleições não terá em conta vida interna dos partidos

O Presidente da República considerou fundamental ouvir as opiniões dos conselheiros de Estado sobre uma dissolução do parlamento, o que acontecerá na quarta-feira, e realçou que a escolha da data de eleições só acontecerá posteriormente e será decidida por Marcelo

O Presidente da República afirmou que na marcação de eleições legislativas antecipadas escolherá "a data mais razoável" e que "corresponda à melhor solução para o esclarecimento dos portugueses", sem ter em conta processos eleitorais partidários.

Em declarações aos jornalistas, no antigo picadeiro real, junto ao Palácio de Belém, em Lisboa, questionado se na marcação da data das legislativas terá em conta os processos eleitorais internos dos partidos à direita, PSD e CDS-PP, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: "Não, não".

"Não, eu vou ter em conta apenas -- se for esse o caso -- aquilo que considero ser a data mais razoável no quadro que se levantaria no momento da realização das eleições", acrescentou.

Interrogado, em seguida, se se sente pressionado nesta matéria, o chefe de Estado desdramatizou a existência de opiniões diferentes nos partidos e parceiros económicos e sociais.

"Eu sei que isso existe, sei que estão a fazer cumprir o seu papel, que é puxar a brasa à sua sardinha. Mas a mim cumpre-me escolher aquilo -- se for esse o caso -- que corresponda à melhor solução para o esclarecimento dos portugueses e para a tomada de decisão em termos eleitorais", acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa distinguiu dois momentos: a questão da dissolução, que "fica fechada" na quarta-feira com a audição do Conselho de Estado, a partir das 17.00 de quarta-feira, e a data de legislativas antecipadas, que irá ponderar "no dia seguinte".

"Haverá um Conselho de Estado só sobre a dissolução, e essa questão fica fechada amanhã. No dia seguinte vou ponderar a data das eleições", anunciou aos jornalistas. "Estamos ainda na fase da primeira escolha, da primeira decisão. Depois haverá 24 horas até eu falar ao país ao começo da noite de quinta-feira, e aí vou juntar as duas questões: a questão dissolução sim ou não; se sim, qual é a data das eleições", declarou.

Questionado se ainda há a possibilidade de não dissolver o parlamento, o chefe de Estado respondeu: "Eu vou ouvir a opinião do Conselho de Estado e só depois disso é que tomo a decisão formal nessa matéria. E, se for caso de ser dissolução, escolho uma data para eleições".

Interrogado se será decisivo o parecer do órgão político de consulta presidencial, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que "é fundamental ouvir o Conselho de Estado e ouvir as razões dos conselheiros, não é um mero 'pro forma'".

"Eu quero ouvir as opiniões dos vários conselheiros, que são muitos, e cobrem um espectro muito grande da vida portuguesa. Depois, tomo essa decisão. E, a seguir, se for caso disso, tomo a decisão da data das eleições", reiterou.

O Presidente da República disse ainda que não considera ter-se precipitado ao colocar a questão das eleições antecipadas antes da votação do Orçamento do Estado.

"Não, acho que não, foram quanto muito uma antecipação. É o que se espera de um responsável político. Antecipei que podia haver problemas na votação. Antecipei que os problemas estavam a subir, e por isso fui intervindo mais vezes. Antecipei que podia haver uma decisão negativa da Assembleia da República, e por isso falei das alternativas", explicou.

atualizada às 17.40

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