Círculo da Europa. Votaram mais eleitores do que em janeiro

Os emigrantes portugueses ainda podem votar via ​​​​​​​postal e o seu voto será contabilizado desde que chegue até dia 23.

O receio que a repetição das eleições no círculo da Europa, depois de anulados 80% dos votos em janeiro, desmobilizasse os emigrantes portugueses não se confirmou. Neste fim de semana, em que decorreu novo ato eleitoral presencial, houve mais votantes, segundo a secretária de Estado das Comunidades, Berta Nunes, disse ao DN.

Das 400 pessoas inscritas para o voto presencial - o mesmo número do que em janeiro, já que não foi possível aceitar novas inscrições - votaram 152, mais 32 do que na primeira votação, em 34 mesas de voto.

"Fazemos agora o apelo para que as pessoas votem por via postal", diz Berta Nunes. Garante que os mais de 900 mil boletins foram todos enviados para os eleitores do círculo da Europa, exceto para os que votaram se inscreveram para depositar o voto em urna presencialmente.

A secretária de Estado das Comunidades afirma que quem ainda não recebeu a boletim ou ainda não foi notificado pelos serviços de correio locais terá a possibilidade de saber onde está o seu voto através do portal do eleitor. "Pode acompanhar o trajeto do voto", frisa.

Berta Nunes esclarece também que a comunidade portuguesa no círculo da Europa pode enviar o voto por via postal esta semana ainda desde que chegue para ser contabilizado até dia 23. "É preciso que fique claro que as pessoas podem enviar o voto esta semana", afirma.

Respondia assim a dúvidas do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas na Europa, que este fim de semana dizia estar preocupado com a possibilidade de uma nova anulação dos votos. Quanto à subida da participação eleitoral no voto presencial a responsável governamental recorda a situação "anormal" da anulação de 80% dos votos - por terem sido misturados os que continham, como manda a lei, o cartão de identificação e os que não continham.

"Gerou-se muito debate em torno do assunto e muita visibilidade e a comunidade portuguesa percebeu que o seu voto contava", assegura Berta Nunes.

Admite que o voto por correspondência tem alguns "constrangimentos", mas recorda que foram dados passos importantes em 2018 para aumentar a participação eleitoral dos emigrantes portugueses. Isto com o recenseamento automático e com o porte pago do voto enviado para as residências.

Mesmo antes da repetição do ato eleitoral no círculo da Europa, João Tiago Machado, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), mostrava-se confiante ao DN que esta segunda votação correrá sem incidentes e que os emigrantes que votaram em janeiro não desmobilizarão. "A Assembleia da República está suspensa por respeito ao seu voto e ainda não tomou posse. Esta paragem do processo mostra que o voto deles conta e que tem consequências em Portugal", frisou o mesmo responsável da CNE.

O porta-voz da CNE assegurou também ao DN que foi feita uma campanha específica junto das comunidades portuguesas neste círculo da Europa, com um panfleto a explicar os quatro passos para votar à distância, incluindo o da inclusão do documento de identificação.

paulasa@dn.pt

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