Chefe cessante assegura que ramo "não se revolta"

O chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) garantiu esta sexta-feira ao DN que "a Marinha não se revolta" com a escolha do vice-almirante Cunha Lopes como seu sucessor.

"Qualquer vice-almirante pode ser CEMA e é ao poder político que compete escolher" o novo chefe da Armada, enfatizou o almirante Saldanha Lopes, a propósito de notícias e informações sobre alegadas revoltas e saídas do ramo caso seja escolhido o vice-almirante Cunha Lopes, diretor-geral da Autoridade Marítima (DGAM).

"Quando fui nomeado também houve saídas e não houve problemas", adiantou Saldanha Lopes, à margem da cerimónia da sua despedida como almirante Autoridade Marítima Nacional (AMN), junto à capitania do porto de Lisboa.

O CEMA rejeitou ainda o teor de algumas notícias publicadas nos últimos dias sobre a ação de Cunha Lopes, como DGAM e como comandante de uma corveta em meados dos anos 1990: "É horrível, é condenável e lamento profundamente."

Saldanha Lopes cumpre hoje o seu último dia como militar no ativo e o seu sucessor ainda não é conhecido, cabendo ao Governo propor o nome e ao Presidente da República nomeá-lo.

Segundo diferentes fontes do ramo ouvidas pelo DN nos últimos meses, sob anonimato por não estarem autorizadas a falar sobre o caso, estão em causa duas correntes na Armada: os que privilegiam o cumprimento da lei (vigente desde 2002), a qual determina que os militares apoiam as autoridades civis, e a que defende a tradição de ser o ramo a exercer essas competências.

Saldanha Lopes, a esse propósito, frisou ao DN que o seu mandato como CEMA fica marcado pela "evolução [do ramo] para o cumprimento do que está na lei" em matéria de separação com a AMN (estrutura não militar na dependência do ministro da Defesa.

A saída de altas patentes após nomeação de novos chefes é uma situação frequente e vista quase como um dever por parte de quem é ultrapassado. Além de Saldanha Lopes, isso também sucedeu quando o atual chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Luís Araújo, foi nomeado chefe da Força Aérea.

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