CDS acusa PS de interferir na decisão editorial das televisões

CDS-PP acusou PS de querer fugir aos debates com os restantes partidos políticos e de não respeitar a liberdade eleitorial.

O CDS-PP acusou hoje o PS de querer interferir na decisão editorial das televisões e de "fugir dos debates" com o líder do partido, Paulo Portas, que as televisões pretendiam organizar a propósito das eleições legislativas.

"Estas propuseram, como é aliás tradicional, um conjunto de frente-a-frentes entre os líderes do PSD, PS, CDS-PP, PCP e BE. Nós aceitámos essa proposta, mas o PS não faz outra coisa senão fugir desses frente-a-frentes que permitem confrontar democraticamente várias opiniões", referem os democratas-cristãos numa nota da direção enviada à agência Lusa.

Para o CDS-PP, "é absolutamente surpreendente que o PS, no espaço de poucas semanas, passe de uma posição em que jurava aceitar o critério editorial das televisões para efeitos de debates, para a posição oposta, que é a de querer interferir na decisão editorial das televisões".

"O respeito do PS pela liberdade editorial não passou a prova dos factos: acham-se donos das televisões e dos debates", criticam.

Em causa estará a alegada recusa do PS em que o líder do CDS-PP, Paulo Portas, seja incluído nos debates, uma vez que se candidata integrado numa coligação com o PSD, que tem como candidato a primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

"É no mínimo anómalo que o PS critique o CDS e o seu líder dia sim dia sim e depois recuse debater democraticamente com ele. No fundo, o PS ataca o CDS, mas tem um qualquer receio de debater com o CDS os factos e os argumentos. Em bom português, a posição do PS de recusar debates com o líder do CDS é toca e foge: ataques a solo, sim; confronto direto e cara a cara, nem pensar. De que tem medo o PS?", questionam os democratas-cristãos.

Na mesma nota, o CDS-PP acusa o PS de fazer "uma birra para fugir aos debates" e diz existir "uma deriva de controleiros nesta relação do PS com a comunicação social" e "uma deriva de arrogância na relação do PS com os adversários políticos".

"A recusa do PS em aceitar os debates propostos pelas televisões é preocupantemente parecida com a vontade do líder do PS de acabar com os debates quinzenais na Assembleia da República. Em ambos os casos é uma visão monocórdica da democracia que está em causa", afirma o CDS-PP.

Os democratas-cristãos referem-se a declarações proferidas por António Costa na qualidade de comentador do programa Quadratura do Círculo quando ainda não era líder do PS, onde qualificou os debates quinzenais como "uma das invenções mais estúpidas que a Assembleia da República fez nos últimos anos".

O CDS-PP recorda ainda declarações do deputado socialista Jorge Lacão, durante o processo de alteração da legislação que regula a cobertura mediática das campanhas e os debates televisivos e nas quais salientou o princípio da liberdade editorial como o critério para os órgãos de comunicação social estabelecerem os debates.

"Pelos vistos, o que o PS diz não se escreve, porque a atitude do PS tem sido a de recusar ou condicionar os debates propostos pelas televisões", critica o CDS-PP.

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