Cavaco Silva "aliviado" com a privatização da TAP

O Presidente deu a entender que não vislumbra entraves de Bruxelas e aplaudiu o facto de a maioria do capital vir de Portugal.

A bordo de um avião da TAP, a caminho para uma visita de Estado à Bulgária, o Presidente da República manifestou-se este domingo "mais aliviado" com o desfecho do negócio de privatização da companhia aérea portuguesa.

"A maioria do capital é português, temos de aplaudir", frisou Cavaco Silva. O Presidente deu a entender que não vislumbra entraves de Bruxelas ao negócios entre o Estado português e o consórcio entre David Neelman e Humberto Pedrosa, presidente do grupo Barraqueiro, para aquisição de 61% da TAP.

Soube-se esta semana que a empresa veículo que compra 61% da TAP, a holding pessoal de Humberto Pedrosa (HPGB) terá 51% e nomeará mais administradores que a a holding de David Neeleman, a DGN, que terá 49%. Além disso, o Estado ainda será detentor de 34% da companhia aérea.

Cavaco garantiu ter acesso à informação do governo e da Direcção Geral da Concorrência da União Europeia. E tudo aponta, nas suas palavras, para que "a TAP tenha a probabilidade de permanecer uma companhia europeia autónoma, com o hub em Portugal, satisfazendo serviço público e as especificidades próprias com os países de expressão oficial portuguesa".

Quanto ao encaixe financeiro de apenas 10 milhões de euros para o Estado, fortemente criticado pelos partidos da oposição, Cavaco relembrou a dívida de "1060 milhões" de euros da companhia aérea. E sobre a possibilidade do PS vir a reverter esta privatização, caso António Costa vença as legislativas, o Presidente limitou-se a remeter para o seu recente discurso do 10 de junho, quando rejeitou a "desgraça e o miserabilismo".

E por falar em 10 de junho, sobre as criticas de que foi alvo por alegadamente ter feito campanha em prol da maioria de governo, Cavaco foi taxativo: "Não participo em jogadas de natureza político-partidária, não cedo a pressões venham da direita, da esquerda, do centro ou das costas". Disse só fazer o que "é do supremo interesse nacional" e puxou dos galões: "Depois de ter ganho quatro eleições com mais de 50% dos votos, o meu ego está mais do que satisfeito!"

Duas maiorias como candidato a primeiro-ministro, duas como candidato a Belém. Palavras ditas a poucos meses das eleições legislativas, para as quais as sondagens não apontam nenhuma força com capacidade de arrancar uma maioria absoluta... A caminho da Bulgária, o Presidente prometeu, aliás, ainda falar da "governabilidade" do país dentro em breve.

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