Cavaco responsabilizou Governo pela crise, acusa Seguro

O secretário-geral do PS, António José Seguro, considerou hoje que o prefácio do Presidente da República é uma mensagem dirigida ao Governo, de que se houver crise política em Portugal a responsabilidade é do executivo PSD/CDS.

"Há uma clara mensagem dirigida ao Governo, a de que se houver instabilidade e uma crise política em Portugal a responsabilidade não é do senhor Presidente da República, isso quer dizer que será do Governo", disse hoje António José Seguro, quando questionado sobre o prefácio hoje conhecido do livro "Roteiros VII", que reúne as principais intervenções de Cavaco Silva no longo do último ano.

Segundo o líder socialista, que falava à margem da Feira do Queijo em Oliveira do Hospital, distrito de Coimbra, o entendimento que fez do que leu "é muito claro no prefácio do senhor Presidente da República".

Questionado sobre uma passagem do prefácio em que Cavaco Silva se refere à acumulação de desequilíbrios entre 2005 e 2010 (quando era Governo o PS), António José Seguro não respondeu diretamente, mas afirmou que na moção que apresentou ao congresso "é muito clara a leitura quanto ao modo como aqui chegámos e sobretudo à grave crise que o país está a atravessar, que tem sido resultado de políticas erradas que o Governo esta a executar".

O secretário-geral do PS disse ainda que "o que é fundamental neste momento é olhar para o presente e para o futuro" e regressou à ideia de que no prefácio hoje conhecido "há uma mensagem clara dirigida ao Governo, que se houver instabilidade politica e uma crise política isso é uma responsabilidade claríssima do Governo".

No prefácio do livro "Roteiros VII" - que reúne as intervenções do chefe de Estado proferidas ao longo do último ano - Cavaco Silva deixa um "guião" sobre aquela que deve ser a atuação do Presidente da República em tempos de crise, sustentando que além do conhecimento rigoroso da dimensão e das razões da crise, "a obediência a uma cultura de responsabilidade" impõe ao chefe de Estado que "não se deixe influenciar pelo ruído mediático ou pelas pressões de grupos ou corporações".

Neste texto, o Presidente da República diz ainda que a situação política tem merecido a sua "permanente atenção e acompanhamento", defendendo que a execução do programa de ajustamento exige solidez na coligação governativa e "muito beneficiaria" com um consenso político alargado.

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