'Cavaco, Presidente mais partidário desde o 25 de Abril'

O presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, acusou hoje Cavaco Silva de ser o Presidente da República "mais partidário" desde o 25 de Abril e de ter promovido a "ascensão" ao poder do actual Governo.

Numa entrevista no programa "Portugal 2011", na Sic-Notícias, ao jornalista António José Teixeira, o dirigente do PS considerou ainda que Cavaco "não é um adepto fervoroso e apaixonado das autonomias regionais" e acusou-o de ter utilizado o Estatuto Político-Administrativo dos Açores, e a declaração ao país sobre o seu veto, no verão de 2008, para um "braço de ferro" com o então Governo de José Sócrates. O chefe do Governo Regional açoriano admite ter sido "contribuinte" no conflito que envolveu o Estatuto, na medida em que lidera o partido maioritário que aprovou a sua revisão, mas imputou "toda a dimensão desajustada e desproporcional que lhe foi introduzida e até toda a desconfiança que foi lançada sobre a honorabilidade e o patriotismo dos açorianos" ao atual chefe de Estado.

Carlos César afirmou ter uma apreciação crítica do mandato de Cavaco Silva, apesar de lhe reconhecer algumas "virtualidades": "Independentemente dessas virtualidades, não há duvida que o senhor professor Cavaco Silva é, entre todos os Presidentes da República eleitos desde o 25 de abril, o Presidente mais partidário de sempre". "Todos os outros Presidentes distinguiram-se claramente da sua origem partidária, fizeram até muitas vezes questão de o evidenciar, o senhor Presidente da República atual, nos momentos chave da política nacional, tem tido uma atuação claramente associada ao PSD, que tem beneficiado objetivamente o PSD", afirmou, acrescentando que Cavaco Silva foi "um promotor da ascensão do PSD à área governativa".

O presidente do Governo açoriano referiu ainda não ter mantido qualquer conversa prévia com Cavaco Silva antes do Presidente da República, então ainda no seu primeiro mandato, ter vetado o Estatuto daquela região autónoma e que o chefe de Estado atuou "claramente fora" da habitual concertação política que existe em matérias legislativas potencialmente sensíveis. Carlos César disse, no entanto, ter "uma relação pessoal fácil" com Cavaco, o que, aliás, "tem sido evidenciado nas suas visitas aos Açores, onde é sempre muito bem recebido".

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