Cavaco pede reflexão sobre sistema político-partidário

O Presidente da República criticou a cedência ao populismo e à demagogia e apelou a uma cultura de compromisso, sob risco de "implosão do sistema partidário".

Cavaco Silva começou o discurso de comemoração da implantação da República, esta manhã, nos Paços do Concelho, em Lisboa, realçando que "numa república todos são iguais e ninguém está acima da lei".

O presidente da República defendeu depois a necessidade de "uma reflexão séria sobre o sistema político português, lembrando que os portugueses são dos europeus que menos confiam nos políticos.

"Não estão insatisfeitos com a democracia e a república, mas sim com a forma como as instituições democráticas têm vindo a funcionar", disse, defendendo que essa "insatisfação e falta de confiança tem tido reflexo em sucessivos atos eleitorais", com elevados níveis de abstenção, e na ausência de novos protagonistas na vida política.

"Profissionalização da atividade política nada tem de censurável mas surge com caráter preocupante", disse o presidente da República, que defendeu uma "maior transparência no financiamento político e partidário".

Cavaco Silva defendeu ainda que a"demagogia e o populismo afastam quadros qualificados da vida política" e que "os interlocutores políticos precisam de adotar uma cultura de compromisso".

"Só com uma cultura de compromisso se alcança estabilidade política", repetiu, lembrando que "foi a crónica instabilidade política que levou à queda da primeira república".

Falando ainda da urgência de uma "cultura de responsabilidade e de uma cultura de verdade", criticou a prática, que considerou habitual, de "fazer-se promessas e apresentar medidas irrealistas" para captar eleitorado, "o que contribui para descrença em relação aos políticos e desconfiança nas instituições".

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