Cavaco pede diálogo e acordo partidário até dezembro

O Presidente da República alertou esta terça-feira, na Guarda, para o "preço muito elevado" que se poderá pagar se o entendimento partidário continuar adiado, apontando o período até à discussão do orçamento para 2015 como o indicado para "o tempo de diálogo".

"Adiar por mais tempo um entendimento partidário de médio prazo sobre uma trajetória de sustentabilidade da dívida pública e sobre as reformas indispensáveis ao reforço da competitividade da economia é um risco pelo qual os portugueses poderão vir a pagar um preço muito elevado", afirmou Cavaco Silva, na sessão solene das comemorações do 10 de Junho.

"O tempo de diálogo que se estende agora até à discussão do próximo Orçamento do Estado será o mais indicado para que as forças políticas caminhem no sentido da concretização do direito à esperança dos portugueses, numa perspetiva temporal mais ampla, situada para além de vicissitudes partidárias ou de calendários eleitorais".

Repetindo uma mensagem que tem insistentemente deixado ao longo dos últimos meses, o Chefe do Estado reiterou ser fundamental que se evitem "erros do passado" para não voltar a uma situação como aquele que o país viveu.

"Repito: devemos estar atentos", sublinhou, recordando que só através de um crescimento económico sustentável se poderão resolver os problemas de forma "estável e consistente, numa perspetiva de médio prazo".

Além disso, continuou, importa lutar por uma distribuição mais equitativa dos rendimentos e de políticas públicas orientadas para o combate à pobreza e à exclusão e para a promoção da mobilidade social.

"Ao longo destes anos difíceis, os portugueses deram prova de um notável sentido patriótico de responsabilidade. Têm agora o direito a exigir que os agentes políticos atuem de modo idêntico. Sabemos que ainda há um longo caminho a percorrer para alcançarmos a sociedade mais justa e desenvolvida com que sonhámos há 40 anos", insistiu.

No final da intervenção, o Presidente da República condecorou mais de três dezenas de personalidades, entre as quais o economista António Borges, a título póstumo, o socialista António Vitorino, o presidente do Banco Lloyds, António Horta Osório, e o ensaísta Eduardo Lourenço.

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