Cavaco "nunca mais" falará sobre subsídios da sua pensão

O Presidente da República disse hoje que "nunca mais" irá falar sobre os subsídios da pensão que recebe do Banco de Portugal, sublinhando que tudo o que foi escrito sobre a matéria "não corresponde minimamente à verdade".

Questionado se já decidiu se irá receber os subsídios de férias e de Natal da pensão que recebe do Banco de Portugal, Cavaco Silva recusou pronunciar-se novamente sobre a questão.

"Já me pronunciei uma vez sobre a situação, nunca mais. Nunca mais voltarei a pronunciar-me por uma simples razão: aquilo que os senhores têm escrito sobre o assunto não corresponde minimamente à verdade e já desisti de fornecer qualquer outro esclarecimento", disse Cavaco Silva, que falava aos jornalistas no final da inauguração da nova sede da Microsoft em Portugal.

A questão dos subsídios de férias e de Natal da pensão que o Presidente da República enquanto reformado do Banco de Portugal provocou grande polémica há cerca de três meses.

Em meados de janeiro, Cavaco Silva foi questionado pelos jornalistas sobre o facto de poder receber subsídio de férias e de Natal pelo Banco de Portugal, tendo explicado que, "tudo somado" - o que vai receber do Fundo de Pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações - "quase de certeza que não vai chegar para pagar" as despesas, recordando que não recebe "vencimento como Presidente da República".

"Tudo somado, o que irei receber do Fundo de Pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações quase de certeza que não vai chegar para pagar as minhas despesas porque como sabe eu também não recebo vencimento como Presidente da República", disse.

"Mas não faço questão quanto a isso porque com certeza existem outros portugueses na mesma situação. Felizmente, durante os meus 48 anos de casado, eu e a minha mulher fomos sempre muito poupados e fazíamos questão de todos, todos os meses colocar alguma coisa de lado e portanto agora posso gastar uma parte das minhas poupanças e é por isso que eu não faço questão quanto a isso", enfatizou.

Posteriormente, numa declaração escrita à Lusa, o Presidente da República esclareceu que, com as declarações que proferiu sobre as suas pensões, apenas quis ilustrar que acompanha a situação dos portugueses que atravessam dificuldades, não tendo sido seu propósito eximir-se dos sacrifícios.

"Não foi obviamente meu propósito eximir-me aos sacrifícios que os portugueses estão a fazer nos dias de hoje, tendo mesmo insistido que o meu caso pessoal não estava em questão", referiu o chefe de Estado, reconhecendo que, face à questão que lhe tem "sido colocada insistentemente" sobre as pensões que aufere, não terá sido "suficientemente claro quanto à intenção do que queria transmitir".

"Apenas quis ilustrar, com o meu exemplo, que acompanho as situações que chegam ao meu conhecimento de cidadãos que atravessam dificuldades e para as quais tenho chamado a atenção em diversas intervenções públicas", acrescentou.

Em finais de janeiro de 2011, depois da aprovação da legislação que pôs termo à acumulação de pensões com vencimentos do Estado, Cavaco prescindiu do seu vencimento de Presidente da República, no valor de 6.523 euros (brutos).

Segundo foi noticiado na altura, o Presidente da República acumula duas pensões, a de professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa e a de reformado do Banco de Portugal, que totalizavam, antes dos cortes nas pensões de reforma, cerca de 10 mil euros mensais (brutos).

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