Cavaco: "Nenhum governo pode escapar às reformas necessárias"

Mesmo com "cheiro" a eleições legislativas, o Presidente da República não tem dúvidas: "nenhum governo pode escapar às reformas necessárias". Em Paris, Cavaco Silva defendeu esta segunda-feira a ideia de que, seja qual for o partido a ganhar as próximas legislativas, as reformas não podem abrandar, a bem da sustentabilidade da dívida pública e das finanças do país.

Cavaco Silva falava aos jornalistas, numa conferência conjunta com o secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, após um encontro com o conselho de embaixadores e peritos da organização. O Chefe do Estado sublinhou os elogios que esses peritos fizeram do processo de reformas em Portugal nos últimos três anos, na saúde, educação legislação laboral e concorrência.

Agora, em 2015, após o programa de ajustamento, entende o Presidente que o País tem de aproveitar o novo quadro comunitário de apoio - Portugal 2020 - que está orientado para as empresas e a coesão territorial. Destacou, neste sentido, o trabalho que poderá ser feito pelo chamado banco de fomento na canalização desses fundos para as pequenas e médias empresas.

Angel Gurria - a quem o Presidente anunciou o apoio de Portugal para mais um mandato como secretário-geral da OCDE - secundou as palavras de Cavaco. "As reformas são um modo de vida para todos os países", disse.

O responsável da OCDE só se mostrou mais cauteloso quanto as expectativas de crescimento económico em Portugal para 2015. Cavaco Silva insistiu na ideia de que será possível Portugal ter um crescimento económico a rondar os 2% já este ano (o governo aponta para apenas 1,5% e a OCDE em novembro passado ficava-se nos 1,3%), devido a três fatores: descida do preço do petróleo, desvalorização do euro em relação ao dólar e a política mais ativa do Banco Central Europeu (BCE)

Gurria não quis contrariar o otimismo do Presidente, admitindo esses fatores positivos a favor da economia portuguesa, mas acrescentou um mas ... "O contexto não é fácil". Sobretudo porque as economias mundial e europeia continuam "a metade da velocidade de cruzeiro" que é necessário. Se ainda assim, se Portugal conseguir superar as expetativas de crescimento, então diz o secretário-geral da OCDE, é porque as reformas estruturais levadas a cabo durante o programa de ajustamento "estão a ter resultados".

Sobre os "resultados" nacionais, as palavras de Cavaco quase soaram a um contraponto com a situação da Grécia e as posições do governo de Tsipras: "Portugal apresenta factos, não apresenta apenas palavras".

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