Cavaco insiste que eleições locais têm "interpretação local"

O Presidente da República insistiu hoje que as eleições locais têm "uma interpretação local", sublinhando que Portugal deve ser "uma país normal" e seguir essa regra, assim como os governos devem cumprir os seus mandatos até ao fim.

"Portugal deve ser um país normal e os nossos parceiros europeus acham que Portugal deve ser um país normal, isto é, um país em que eleições locais têm um significado local e não mais do que isso", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas em Estocolmo, durante a visita de Estado que está desde realizar à Suécia desde terça-feira.

Revelando que nos encontros que teve com o primeiro-ministro e os ministros suecos o resultado das eleições autárquicas foi um dos temas abordados, Cavaco Silva adiantou que lhes transmitiu que, "como é normal em todos os países da União Europeia, eleições locais são eleições locais e têm uma interpretação local e não mais do que isso".

"Tal como lhes disse que, como é normal na maioria dos países da União Europeia, os governos eleitos devem completar os seus mandatos e disse-lhes que é isso que deve acontecer em Portugal", acrescentou, reiterando que a estabilidade política é fundamental para um país que está a implementar um programa de ajustamento.

Cavaco Silva disse ainda que os mercados e os outros países "olham com atenção para esse aspeto" e "esperam que Portugal seja nesta matéria um país normal, que não seja uma exceção".

Ou seja, "Governo eleito para quatro anos deve completar os seus mandatos de quatro anos", precisou.

A este propósito, o Presidente da República recordou que, em 1989, quando era primeiro-ministro também obteve um "mau resultado" nas eleições autárquicas e tal facto não o impediu de ter uma maioria absoluta em 1991.

"O que nós verificamos na Europa é que as eleições a meio dos mandatos são normalmente eleições em que ocorre protesto em relação àqueles que estão no poder", acrescentou.

Questionado sobre as declarações do líder socialista de que não está disponível para retomar as negociações com os partidos do Governo, o chefe de Estado escusou-se a comentar, mas recordou que já revelou qual a sua posição sobre essa matéria.

"Já disse que espero que todos os líderes políticos em Portugal, à medida que se aproxima o fim do período deste programa de ajustamento, ganhem uma consciência acrescida das exigências que continuarão a ser colocadas a Portugal depois de junho do próximo ano", defendeu.

Para Cavaco Silva, "o clima de confiança seria reforçado se existisse um espírito de compromisso alargado em relação às forças políticas que subscreveram o memorando de entendimento".

Além disso, continuou, a força negocial de Portugal com os parceiros europeus e com as instituições internacionais também seria maior nessa situação.

O Presidente da República acentuou ainda que os observadores acompanham "tudo o que se diz em Portugal" sobre a "consolidação orçamental e o que diz respeito às reformas estruturais para o aumento da competitividade e flexibilidade da economia".

"Seja dito por membros do Governo, seja dito por membros da oposição, registam tudo isso e tiram as suas conclusões", alertou.

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