Cavaco foi o primeiro "a preocupar-se com o pós-Troika"

Antiga ministra diz que manifesto pela reestruturação da dívida, que assinou, não é "rebelião" nem "crítica ao Governo", mas sim uma "reflexão". Lamenta o "tom crispado" em redor do assunto, "como se não estivéssemos em democracia"

A antiga ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, lembrou esta noite- no seu espaço semanal de comentário na TVI24 - que foi o Presidente da República o primeiro ator político "a preocupar-se com o pós-Troika quando há dois ou três meses convocou um Conselho de Estado para discutir o assunto."

Ferreira Leite falava a propósito do manifesto de 70 personalidades, que a própria subscreveu, que aconselha a reestruturação da dívida e que terá levado Cavaco Silva a afastar dois conselheiros do Palácio de Belém por serem subscritores do manifesto.

Ferreira Leite mostrou-se ainda surpreendida com o tom das críticas: "Foi um tom crispado, como se não estivéssemos em democracia". Lamentou assim a "reação desadequada" do Governo e da troika ao manifesto, lembrando que "não se trata de uma crítica ao Governo", nem de uma "rebelião", mas de uma "reflexão".

Quanto ao "timing" do manifesto, Ferreira Leite diz que esta é a altura certa para tomar uma posição por se estar a aproximar o período pós-troika e as eleições Europeias. Sobre o escrutínio para o hemiciclo comunitário, a antiga ministra disse mesmo: "As Europeias não devem servir para discutirmos se gostamos mais do Assis ou do Rangel. Se gostamos mais do Seguro ou do Passos Coelho. Devem servir para discutir estes assuntos".

A antiga presidente do PSD disse ainda que, apesar da saída da troika, o País vai entrar uma fase de "regras orçamentais rígidas" e que as atuais condições, sem reestruturação da dívida, levarão a "40 anos de exigência" e austeridade.

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