Cavaco fez "apagão sobre a austeridade" no 25 de Abril

O discurso do Presidente da República nas cerimónias oficiais do 25 de Abril foi "orientado para fazer um apagão sobre os últimos três anos de austeridade" no País, afirmou este domingo José Sócrates.

Cavaco Silva "não se quis referir ao retrocesso social e económico" resultante da "política exagerada de austeridade" imposta nos últimos três anos pelo Governo de Pedro Passos Coelho, lamentou José Sócrates, no telejornal da RTP 1.

O ex-primeiro ministro socialista criticou ainda os apelos do Chefe do Estado ao consenso entre os partidos, "por causa do seu comportamento diferenciado" em relação a este Governo e ao anterior.

Esse comportamento de Cavaco Silva traduz "um duplo critério", pelo que "o Presidente da República pela primeira vez confunde-se com o Governo", argumentou José Sócrates.

O comentador adiantou que Cavaco Silva "perdeu a autoridade" de estar acima dos partidos e fazer apelos à concórdia entre os partidos, a um mês das eleições europeias e quando a democracia assenta na divergência e discordância dos atores políticos.

O Presidente "pode e deve fazer" apelos ao consenso político, mas "não tem autoridade moral" para falar sobre intrigas políticas porque isso, referiu ainda José Sócrates, lhe lembra o episódio das alegadas escutas feitas pelo seu Governo à Presidência da República.

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