Cavaco fala na necessidade de compromissos depois das eleições

Presidente espera que nos próximos 10 meses os partidos evitem crispações, não se estiquem nas promessas, para deixar a porta aberta a entendimentos futuros.

Cavaco Silva parece ter desistido do compromisso entre partidos antes das próximas eleições legislativas e espera apenas que, nos próximos dez meses, as forças partidárias não se estiquem nas promessas, evitem as crispações e conflitos artificiais, para deixar a porta aberta para aquilo que é a cartilha fundamental do seu mandato presidencial: o entendimento, que o Presidente da República atira agora para depois de outubro (a data prevista para a ida às urnas).

"Seja qual for o resultado eleitoral, o tempo subsequente à realização de eleições será marcado por exigências de compromisso e de diálogo. Este espírito de abertura não poderá ser prejudicado por excessos cometidos na luta política que antecede o sufrágio", avisa Cavaco na sua mensagem de Ano Novo. Para logo recordar que "em devido tempo" chamou "a atenção do País" para se preparar "o período pós-troika" e que "agora" interpela "os portugueses - e, em especial, os agentes políticos - a prepararem o período pós-eleitoral".

É já na parte final da sua mensagem que o Presidente da República antecipa a necessidade de "o período pós-eleições corresponder à consolidação de um tempo de confiança no nosso País, quer no plano interno, quer no plano internacional". Porque, entende Cavaco, "não é só no dia a seguir às eleições que se constroem soluções governativas estáveis, sólidas e consistentes, capazes de assegurar o crescimento económico e dar esperança aos portugueses".

Num ano eleitoral, como o próprio recorda, o Chefe do Estado lança já um apelo à participação ativa dos portugueses. Porque só assim se pode "esperar e até exigir" que os políticos "atuem com responsabilidade, elevação e sentido cívico".

Para isso, insiste Cavaco, os agentes políticos devem "evitar crispações e conflitos artificiais" e ser "cuidadosos" nas "promessas eleitorais que fazem" - e pede clareza nas propostas, mas também realismo, para que possam ser cumpridas. E numa farpa sem aparente destinatário nota que "há que evitar promessas demagógicas e sem realismo".

"Devo ser claro: é errado pensar que os problemas que o País enfrenta podem ser resolvidos num clima de facilidades", aponta. Antes de deixar elogios aos resultados da governação da maioria PSD/CDS.

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