Cavaco está "muito aquém do que seria desejável"

O antigo candidato presidencial Fernando Nobre considerou hoje que Cavaco Silva está "muito aquém do que seria desejável" na transmissão de esperança aos portugueses e que deveria "pugnar" por uma "mais justa redistribuição da riqueza nacional".

"É um ano extremamente difícil e problemático para Portugal e para todos os portugueses, o que posso dizer é que eu teria desejado que houvesse um empenho muito mais forte no sentido de poder dar confiança aos portugueses, porque sem confiança não há esperança no futuro", afirmou à agência Lusa o presidente da AMI.

Fernando Nobre falava numa declaração à Lusa sobre o primeiro ano do segundo mandato de Cavaco Silva como Presidente da República, que hoje se assinala.

"Acho que é a grande crise que Portugal e os portugueses estão a viver, uma falta de esperança tremenda, o que faz com que, efetivamente, o movimento que já vinha desde 2008 se vá ampliando, no sentido da saída de portugueses para o estrangeiro", referiu.

O ex-candidato presidencial reconheceu que estes "são tempos de tamanhos desafios, que exigem de um Presidente da República um investimento de todos os instantes, um dinamismo e uma força ímpares", mas considerou que Cavaco "tem ficado muito aquém do que seria desejável" na transmissão de uma mensagem de esperança aos cidadãos e em oferecer uma "perspetiva de futuro" às gerações mais jovens.

"Não podemos permitir que o descrédito se instale nas novas gerações", advertiu, assinalando que sempre defendeu uma "Presidência mais ativa, interventiva, presente, junto dos cidadãos".

"Ele é o único órgão de soberania eleito unipessoalmente e daí advém uma força, uma autoridade e uma representatividade ímpares na vida política portuguesa", notou.

Segundo Nobre, para existir "confiança e esperança no futuro" é "fundamental assegurar coisas básicas" como "transparência na vida pública, uma justiça muito mais célere e eficaz, um combate sem tréguas à corrupção".

"É preciso pugnar de forma determinada, e eu acho que o primeiro magistrado da nação para isso deveria estar fadado, sendo o mobilizador e o catalisador de boas vontades, no sentido de uma melhor, mais justa e indispensável redistribuição equitativa da riqueza nacional", concluiu.

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