Cavaco contra cumprir défice "a todo o custo"

Presidente diz que "nas presentes circunstâncias, não é correto exigir" a Portugal "que cumpra a todo o custo um objetivo de défice público fixado em termos nominais". E pede novas metas à 'troika'

"Nas presentes circunstâncias, não é correto exigir a um país sujeito a um processo de ajustamento orçamental que cumpra a todo o custo um objetivo de défice público fixado em termos nominais." Cavaco Silva lançou este aviso hoje à tarde, num texto colocado na sua página do Facebook - à hora em que milhares de portugueses começaram a sair para protestos em várias cidades contra as políticas do Governo - traduzindo "em linguagem simples", com aquela frase, o facto do FMI, "a propósito dos processos de consolidação orçamental na zona Euro" ter dito que subestimou os efeitos da austeridade na economia.

Para o Presidente da República, esta notícia "vindo de quem vem" terá de chegar "aos ouvidos dos políticos europeus dos chamados países credores e de outras organizações internacionais". "Trata-se de um ensinamento elementar da política de estabilização, que eu próprio várias vezes tenho referido", defende Cavaco Silva.

O Presidente da República entende que "devem ser definidas políticas que garantam a sustentabilidade das finanças públicas a médio prazo e deixar funcionar os estabilizadores automáticos". Depois deixa um conjunto de reparos à política que tem sido seguida pela Europa e aplicada pelo Governo de Passos Coelho.

"Se o crescimento da economia se revelar menor do que o esperado, o défice nominal será maior do que o objetivo inicialmente fixado, porque a receita dos impostos é inferior ao previsto e as despesas de apoio ao desemprego superiores." Em defesa desta argumentação, Cavaco cita a conclusão do economista chefe do FMI, Olivier Blanchard, de que "nem por isso se deve impor a adoção de medidas orçamentais adicionais, o que tornaria a situação ainda pior".

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