Cavaco confessa que não usa o Acordo Ortográfico

O Presidente da República portuguesa, Cavaco Silva, aterrou hoje em Jacarta para uma visita de Estado à Indonésia, a segunda etapa de uma viagem de dez dias que o levará ainda à Austrália e a Singapura.

O chefe de Estado português aterrou em Jacarta cerca das 14:45 locais (08:45 em Lisboa), depois de ter efetuado uma visita de Estado a Timor-Leste e participado nas comemorações do X Aniversário da Restauração da Independência.

No último ato oficial em Timor, a inauguração da Feira do Livro de Díli, o Presidente salientou a sua participação na ratificação do Acordo Ortográfico em Portugal, mas confessou que em casa continua a escrever como aprendeu na escola.

Na feira, Cavaco Silva visitou as várias bancas e, numa delas, destacou os livros já adaptados ao novo Acordo Ortográfico (AO).

Questionado se já se adaptou à nova grafia, o Presidente da República lembrou que o AO já foi ratificado pela Assembleia da República e entrou em vigor para os serviços públicos em 2012.

"Todos os meus discursos saem com o acordo ortográfico mas eu quando estou a escrever em casa tenho alguma dificuldade e mantenho aquilo que aprendi na escola. Mas isso é algo privado em casa, coisa diferente é a divulgação oficial de todos os documentos da Presidência", sublinhou, salientando que não só concorda com este Acordo como participou ativamente na sua ratificação.

"Quando fui ao Brasil em 2008, face à pressão que então se fazia sentir no Brasil, o Governo português disse-me que podia e devia anunciar a ratificação do acordo, o que fiz", lembrou, remetendo a questão de se Timor-Leste deve adotar este acordo para as autoridades timorenses.

Na visita à Feira do Livro de Díli, Cavaco Silva esteve acompanhado do Presidente da República Democrática de Timor-Leste, Taur Matan Ruak, e a meio do percurso juntaram-se também o primeiro-ministro timorense Xanana Gusmão e o ex-Presidente timorense Ramos Horta.

No seu discurso na cerimónia de inauguração da Feira, o presidente português sublinhou a importância de iniciativas como esta para a promoção da língua portuguesa.

"Não ignoro a complexidade de que se reveste, para as autoridades timorenses, o problema da alfabetização (...) Estou certo de que Timor-Leste tudo fará para continuar, como até agora, a participar empenhadamente na tarefa, difícil mas grandiosa, que é a afirmação internacional do espaço da língua portuguesa", disse.

Na Feira, foi lançado o primeiro Dicionário de Malaio/Indonésio-Português, de Geoffrey Hull, que Cavaco Silva irá agraciar com o grau de Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique.

O Presidente entregou ainda duas bibliotecas itinerantes às autoridades timorenses e lembrou a importância que teve em Portugal este tipo de iniciativas.

"Isto em Portugal foi um sucesso, foi a Fundação Gulbenkian que lançou estas bibliotecas e que deu um contributo importante na divulgação da leitura principalmente nas freguesias mais distantes das cidades", disse.

Na Feira do Livro de Díli, que já vai na V edição, os timorenses têm à disposição mais de 25.000 volumes, entre livros infantis, académicos e de ficção, coexistindo lado a lado autores da lusofonia como José Eduardo Agualusa, Pepetela e António Lobo Antunes, clássicos como Eça de Queirós ou Camões e campeões de vendas como Margarida Rebelo Pinto e José Rodrigues dos Santos.

Na Indonésia, Cavaco Silva vai reunir-se com o Presidente da República, Susilo Bambang, que lhe oferece à noite um banquete de Estado, com intervenções dos dois chefes de Estado.

A visita de Estado à Indonésia, a primeira de um chefe de Estado português, prolonga-se até à manhã de sexta-feira, dia em que Cavaco Silva partirá para a visita oficial à Austrália.

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