Cavaco condecorou Santana cinco anos depois. Sócrates está à espera há três

Ex-governante socialista, Ascenso Simões, envia carta ao Presidente da República para que se deixe de "preconceitos" e condecore Sócrates. Eduardo Catroga considera não atribuição "normal" e Manuel Alegre "inadmissível"

Dos 12 antigos primeiros-ministros em governos constitucionais, só um é que ainda não foi agraciado pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo: o socialista José Sócrates. A espera tem três anos. Não é a mais longa, mas mesmo assim está a indignar alguns socialistas.

A distinção é a maior condecoração por serviços prestados ao país e levou o antigo secretário de Estado de Sócrates, Ascenso Simões, a enviar uma carta de indignação ao atual Presidente, Cavaco Silva, pedindo que elimine "todos os preconceitos" contra o antigo primeiro-ministro e atribua a condecoração.

Na carta - enviada ontem para Belém -, o atual administrador da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) diz ao Presidente que "muitos portugueses começam a questionar-se sobre as razões" que levam Cavaco a não atribuir esta distinção. Diz ainda que independentemente das "interpretações muito pessoais" que o Presidente possa fazer dos governos Sócrates, o antigo chefe de governo "merece" a distinção, pois foi "sempre defensor intransigente do interesse nacional".

José Sócrates já deixou de ser primeiro-ministro há três anos e quatro meses. O social-democrata Pedro Santana Lopes teve de esperar cinco anos até que Cavaco Silva lhe desse a distinção.

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