Cavaco com ambição de ver Portugal reverter recessão

Podiam ser apenas canas de vime, que o designer Paulo Lobo importa do Chile para as suas criações artesanais, que a mensagem do Presidente da República neste sábado era a mesma: "E não dá para sermos nós a produzir cá?"

A pergunta de Cavaco Silva, na sexta jornada do Roteiro para a Juventude, no Porto, ficou sem resposta. Mas estava lançado o tema a recuperar mais tarde: aumentar as exportações e reverter a recessão, já este ano.

"Temos a possibilidade, de acordo com as previsões, já no ano de 2013, de anular o desequilíbrio forte que tínhamos nas contas externas. Mas precisámos de ir mais longe e ter superavit", apontou Cavaco Silva, já a encerrar o programa, dedicado às indústrias criativas. As mesmas que apontou como "exemplo a seguir", pela componente de exportação que introduzem.

O dia juntava inovação e criatividade, mas a mensagem do Presidente da República acabou por ir parar à pouco inovadora recessão. A mesma em que Cavaco quer colocar a ambição nacional de reverter, até final do ano.

"Em termos de ambição penso que seria muito importante que na parte final de 2012 já ocorresse uma inversão de tendência. É provável que o primeiro e segundo trimestres ainda sejam de alguma recessão", apontou. Com ou sem austeridade, o Presidente não colocou de parte cenários.

"Não quero excluir essa possibilidade. É provável que o primeiro e segundo trimestres [de 2012] ainda sejam de alguma recessão, mas penso que era muito importante para o nosso país inverter na parte final do ano [essa tendência] por forma a que no ano de 2013, no seu conjunto, já possa revelar um crescimento positivo", disse ainda.

Ainda assim, não escondeu "uma certa satisfação" pelo regresso dos líderes europeus ao discurso do crescimento económico, depois de centrado na consolidação orçamental: "Sinto uma certa satisfação com isso porque desde há muito tempo que digo que não se pode somar permanentemente austeridade a mais austeridade".

Pouco antes, enquanto percorria uma rua do Porto, a pé e com algum à vontade, Cavaco pegava no exemplo da estilista Katty Xiomara, um dos projectos criativos que quis destacar e que se afirma entre os mercados como o dos Estados Unidos e Japão, depois de sentir o Europa a falhar nas encomendas.

"Gostei. Estar na média entre os dois países é um exemplo para Portugal", comentou, depois de saber que a estilista usa 80 por cento de matérias-primas nacionais nas suas peças. Uma destas peças, seguiria logo de seguida para a primeira-dama. "Fica-lhe muito bem", comentou Cavaco.

O Presidente começou por visitar o atelier de design de interiores de Paulo Lobo, onde contactou com arquitetos e artesãos, ainda a loja da ALDECO, uma marca portuguesa de tecidos que se tem afirmado no mercado internacional, sobretudo com a coleção "Alma Lusa", inspirada nos Descobrimentos portugueses, que já chegam a 50 países, e passou pela "Casa do Conto, Arts & Residence", um "design hotel" do Porto que combina "a promoção das artes e dos criadores".

"O que reparo é que algumas destas empresas tinham uma raiz familiar, uma história atrás de si, e que se não fossem os jovens a introduzirem modernas tecnologias, inovação, criatividade, podiam ter falhado. Os jovens recuperaram uma herança tradicional e de indústria familiar", realçou.

A mensagem de Cavaco Silva não deixou de passar pelos portugueses que enfrentam neste momento "grandes dificuldades" e apelou a que todos, até "os sectores políticos", unam esforços "para dar resposta" à crise.

"Até numa invenção criativa, a essa ansiedade que atinge os cidadãos", sublinhou.