Caso de submarinos não pode ficar 'em águas de bacalhau'

A eurodeputada do PS Ana Gomes desafiou hoje o Governo e o Procurador-Geral da República (PGR) a garantirem a continuidade das investigações no caso dos submarinos, considerando "inaceitável" que o processo esteja "em águas de bacalhau".

"É inaceitável que este processo esteja parado em Portugal", afirmou à agência Lusa a eurodeputada socialista. Ana Gomes considerou ainda que só "por manipulação política" é que a Justiça portuguesa "não avançou mais com o processo". O ex-administrador da Ferrostaal Johann-Friedrich Haun e o ex-procurador Hans-Peter Muehlenbeck já se tinham dado como culpados perante o Tribunal regional de Munique, a troco da garantia dada pelo juiz de que a sentença não iria além da pena que foi realmente aplicada.

Haun terá de pagar uma coima de 36 mil euros e Muehlenbeck de 18 mil euros, anunciou o juiz do processo, Joachim Eckert. A Ferrostaal, arguida no mesmo processo, reconheceu as práticas ilegais e aceitou pagar uma coima de 140 milhões de euros, que só não foi maior porque o tribunal teve em conta a atual precária situação da empresa. Para Ana Gomes é "inaceitável que o processo na Alemanha tenha avançado, ao ponto de haver condenados por suborno a portugueses, e em Portugal o assunto esteja em águas de bacalhau". A deputada ao Parlamento Europeu defendeu que é preciso "interpelar o Governo sobre este processo", dado que há "fortes suspeitas de corrupção" e "o principal responsável político pelo negócio é o próprio ministro [da Defesa] da altura, o doutor Paulo Portas", atual ministros dos Negócios Estrangeiros.

Portugal assinou em 2004 a compra de dois submarinos a um consórcio alemão, pelo valor de aproximadamente 1000 mil milhões de euros. "Interpelo o PGR e o Governo, acho que é inaceitável e uma perversão do sistema democrático se este processo não seguir os seus trâmites, aliás, o Governo devia ser o primeiro a garantir que o processo continua", reforçou.

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