Caso BES "pôs em causa nossa reputação e confiança"

O presidente do BCP, Nuno Amado, acredita que a banca precisa de voltar a ganhar credibilidade perdida com o caso BES. O vice-presidente da CGD, Nuno Fernandes Thomaz, mantem-se contra a privatização da Caixa.

Foi uma tarde cheia de expressões em inglês. Tantas quanto dois banqueiros não conseguem traduzir para explicar à 'turma' de jovens quadros do CDS, a situação do setor bancário. Nuno Amado, do BCP e Nuno Fernandes Thomaz, da CGD, não fugiram às perguntas, difíceis e oportunas, dos 'jotinhas'. O caso BES impôs-se, com a turma a quere saber se era possível repetirem-se estas situações, não só do BES, mas também do BPN em outros bancos. "A experiência mostra que nunca é uma palavra que não podemos usar. Mas as liçõe que aprendemos dão mais garantias que os sistemas bancários estsão mais sóidos, melhor capitalizados e mais rigorosos gestão de riscos", afirmou Fernandes Thomaz. Amado concordou, reforçando que "a gestão e a supervisão vai aprendendo e, logo, risco é menor".

Em resposta a uma questão sobre o impacto do caso BES, Nuno Amado, não esteve com meias palavras: "pôs em causa a nossa reputação e a confiança dos outros na nossa atividade. A confiança perde-se num dia mas demora muito a ganhar. Temos de ser mais exigentes connosco próprios, mais vale transparência que não transparência. É preciso ganhar credibilidade como atores setor privado que perdemos neste caso".

O presidente do BCP não se mostrou muito entusiasmado com a solução do Banco de Portugal e do Governo, em relação ao BES. "Este seria um modelo é o mais eficaz numa Uniao Bancária que tenha dimensão e volume. No nosso caso, foi a decisão. Cumpre-se, segue-se, não fomos nós que decidimos, vamos cumprir a lei. Foi a solução possível", declarou, também em resposta a uma questão. Do lado de Fernandes Thomaz, uma opinião mais sintética:"foi o modelo escolhido para proteger os contribuintes", asseverou, acrescentando esperar que "a venda no Novo Banco seja célere".

O vice-presidente da CGD, igualmente vogal do Conselho Nacional do CDS, tinha um dos filhos na 'turma' dos jotinhas que assitiam à sua 'aula'. Em jeito de provocação,perguntou sobre as diferenças entre bancos públicos e privados. "Lá em casa fazemos contas", responder, a brincar, passando a palavra a Nuno Amado. "O que digo ao seu pai é que venha para o privado", desafiou o dirigente do BCP. Ainda em resposta a uma pergunta sobre a privatização da CGD, Nuno

Fernandes Thomaz, numa saída diplomática, lembrou que "cabe ao Estado

como accionista privatizar ou não a Caixa". Porém, não quis deixar de

lembrar que "quando foi elebarado o programa eleitoral do CDS aconselhei

Paulo Portas a manter a CGD na esfera pública. Como cidadão era essa a

minha opinião, não era ainda da CGD. Omiti-lo seria estar a mentir".

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