Carvalho da Silva pede "ato coletivo de afrontamento"

O ex-líder da CGTP Manuel Carvalho da Silva apelou hoje a "um ato coletivo de afrontamento" ao Governo, "antipatriótico" e "o pior de sempre em democracia", e defendeu a renegociação "séria" de um memorando "que já está denunciado".

"Esta governação não pode continuar, nós temos um não-governo e isso é perigoso, contamina as relações das instituições e pode apodrecer algumas delas", advertiu Carvalho da Silva, no último discurso do Congresso das Alternativas, na Aula Magna, em Lisboa.

O antigo líder da CGTP apelou ainda à juventude para "que não se vergue, que não aceite isto de que o seu futuro tem de ser pior do que foi a vida dos seus pais". "Os jovens têm de se rebelar contra esta situação".

O professor universitário, um dos principais impulsionadores deste encontro das 'esquerdas', afirmou que "há um povo que sofre e que vive debaixo de injustiças que os revoltam" e que perante "uma negação do caminho do progresso" e um "retrocesso civilizacional que se vai acentuando" é preciso "responder aos problemas do povo".

Neste ponto, Carvalho da Silva deixou um aviso aos vários responsáveis políticos: "Não há outras agendas que nos tragam aqui, a agenda é esta, responder aos problemas do povo, interpretarmos as mensagens, não é tempo de taticismos nem de justificações para ver se à frente é melhor".

O antigo líder sindical criticou o discurso de que "não há alternativa debaixo da agenda neoliberal" e defendeu que a alternativa é "rechaçar esta política de crença", que "na governação dos povos são uma desgraça".

"Negar a existência de alternativas é negar a política em democracia", afirmou, citando depois não Marx, mas Max Weber: "O ser humano não teria alcançado o possível, se repetidas vezes não tivesse tentado o impossível".

No seu discurso, um dos mais aplaudidos, Manuel Carvalho da Silva advogou que qualquer "reflexão mínima mostra a evidência de que o memorando já está denunciado", pelo que é "de iníquo pelos protestos do povo" e "pela negação de resposta aos problemas, técnica, cientificamente e politicamente".

"Não percamos tempo e procuremos a convergência", exortou, pedindo à plateia "um ato coletivo de afrontamento, de exigência de renegociação e de diálogo sério com os credores e os parceiros europeus".

Num discurso em que teceu duras críticas ao executivo PSD/CDS-PP, Carvalho da Silva disse que "o consenso que suportou este memorando está podre e tem de ser deitado para o caixote do lixo".

"Este Governo é o primeiro governo antipatriótico de há muitas décadas, o Governo não define o interesse nacional em função dos interesses dos portugueses, mas dos interesses dos credores e dos agiotas, isto é ser antipatriótico", acusou.

Neste contexto, Carvalho da Silva disse existirem condições para "a definição de um amplo entendimento que pode responder a esta situação", que inclua "muitos cidadãos inclusivamente do centro político".

No seu discurso, o também sociólogo fez um comentário sarcástico ao modelo seguido nas comemorações oficiais do 05 de Outubro deste ano, que motivou uma grande assobiadela da assistência.

"A Presidência da República não abre o Palácio de Belém à visita do povo para não ter custos, para não gastar dinheiro dizem eles, as cerimónias oficiais saíram do espaço público para um pátio para poupar, o primeiro-ministro, a quem certamente que também pagaram as viagens e a alimentação para poupar, não está no país e está na Eslováquia, mas nós não desistimos", afirmou.

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