Carlos Zorrinho desdramatiza significado de intervenção pública de Sócrates

O presidente da bancada do PS desdramatizou hoje um eventual fim do silêncio do ex-primeiro-ministro José Sócrates sobre questões políticas nacionais e europeias, alegando que o seu ex-líder é uma figura política e um militante socialista.

Carlos Zorrinho falava aos jornalistas no final de uma reunião do Grupo Parlamentar do PS, depois de confrontado com declarações que terão sido proferidas por José Sócrates em Paris, durante uma palestra promovida pelo pólo universitário de Poitiers na capital francesa.

José Sócrates terá defendido a tese de que é essencial apostar no financiamento para desenvolver a economia, designadamente no caso de Portugal.

"Para pequenos países como Portugal e Espanha, pagar a dívida é uma ideia de criança. As dívidas dos Estados são por definição eternas. As dívidas gerem-se. Foi assim que eu estudei", afirmou o ex-primeiro ministro, citado pelo "Correio da Manhã".

Perante estas afirmações, Carlos Zorrinho recusou-se a esclarecer se concordava ou não com o ex-primeiro-ministro socialista.

"José Sócrates é uma figura política, é também um militante do PS e emitiu a sua opinião. Mas não farei outro comentário sobre isso", disse.

No final da reunião da bancada do PS, Carlos Zorrinho foi também questionado sobre a posição dos socialistas caso o próximo Conselho Europeu decida proceder a uma ampla revisão do Tratado da União Europeia.

"Na reunião da bancada esse tema foi apenas falado de forma genérica, mas o PS não toma posição sobre hipotéticas propostas e sobre questões que não estão claramente definidas. Até ao momento, de acordo com a informação que temos, entendemos que o futuro não pode ser o da Europa das sanções, mas, antes, deve ser o da Europa do crescimento - e as alterações a introduzir deverão apontar nesse sentido", respondeu o presidente da bancada socialista.

Neste contexto, Carlos Zorrinho adiantou que, para já, nenhum dado aponta objetivamente para a necessidade de as alterações no quadro da União Europeia exigirem a prazo uma revisão da Constituição da República.

"Não há nada suscitado até ao momento que intercete a nossa Constituição. Pelos dados que temos não há qualquer necessidade [de uma revisão constitucional]", sustentou.

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