Cancelamento de voos "põe em causa imagem do País"

Ministro da Economia defende que cancelamentos e atrasos merecem "reflexão" e diz que o ministério tem a "obrigação" de pedir à TAP a reposição da "normalidade".

O ministro da Economia, Pires de Lima, disse esta quinta-feira em Luanda que os sucessivos cancelamentos de voos na TAP colocam em causa a "imagem de Portugal" e que devem ser "motivo de reflexão" para a administração da companhia.

"Estes cancelamentos e estes atrasos não são seguramente uma coisa boa e devem ser um motivo de reflexão para a administração da TAP e para todos nós", afirmou o ministro, à margem de uma visita oficial à capital angolana.

Questionado pelos jornalistas, António Pires de Lima assegurou que o Ministério da Economia tem "acompanhado de perto" a "evolução operacional da TAP", admitindo que com a sucessão de atrasos e cancelamento de voos é "a imagem de Portugal, também, que está em causa".

"Nós temos a obrigação, enquanto Ministério da Economia, de pedir à administração da TAP que recupere operacionalmente a normalidade das operações na TAP num tempo curto. E essas expectativas foram criadas pela própria administração, para as próximas semanas e durante o mês de agosto", sublinhou Pires de Lima.

"Essa é a expectativa que a administração da TAP criou e que nós, Governo, queremos ver cumprida", enfatizou.

Ainda esta quinta-feira a TAP confirmou o cancelamento de 37 voos programados até sábado, justificando a decisão com um atraso na entrega de seis aviões Airbus à companhia de transporte aéreo portuguesa, causa à qual considera ser "totalmente alheia".

Perspetivando a normalização da situação durante o mês de agosto, mas garantindo que a mesma não coloca em causa a segurança da companhia de bandeira nacional ou o seu processo de privatização, o Governo, afirmou esta quinta-feira Pires de Lima, quer depois perceber o que correu mal neste processo.

"A seu tempo, com calma, com tranquilidade, com serenidade, durante os meses de setembro e outubro, eu acho que é preciso aprofundar as razões desta crise de crescimento que se verificou na TAP e que perturba o serviço e a vida das pessoas. Nós temos de compreender isso, para que estas situações não se voltem a repetir no futuro", disse.

Apesar das dificuldades operacionais sentidas pela companhia, o governante reafirma que a TAP "continua a ser uma empresa tão segura como sempre foi no passado", mas assume que a situação atual, com várias suspensões de voos e atrasos, "prejudica a vida das pessoas".

"É com os clientes da TAP, com a imagem de uma companhia de que o Estado é o único acionista, neste momento, e que leva o nome de Portugal a todo o lado, com que eu estou preocupado, legitimamente preocupado, como ministro da Economia", apontou.

Para o ministro, que tutela a empresa controlada totalmente pelo Estado, "é muito importante que a TAP tenha uma imagem não só de segurança, que sempre manteve e mantém", mas também "de credibilidade operacional".

"No sentido em que os voos que promete se fazem e partem a tempo e horas", rematou Pires de Lima.

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