Bloco acusa Cavaco estar "mais preocupado em como vai ficar na História"

A bloquista Ana Drago afirmou hoje que o Presidente da República está mais preocupado "em como vai ficar na História" do que com a situação do país e acusou-o de ser "uma figura ausente do debate político".

"Eu creio que o senhor Presidente tem de cumprir as suas funções, mas perante medidas que colocam em causa o regular funcionamento das instituições e que levantam seriíssimas dúvidas de constitucionalidade, o Presidente tem sido uma voz muito fraca perante esta descida aos infernos da sociedade portuguesa,", afirmou à Lusa a deputada do BE.

Cavaco Silva defende que a situação do país impõe que o Presidente da República não se deixe influenciar pelo ruído mediático ou pressões, nem se deixe arrastar por pulsões emocionais ou afetar pelas tensões que surgem nos tempos de crise.

No prefácio do livro "Roteiros VII" - que reúne as intervenções do chefe de Estado proferidas ao longo do último ano - Cavaco Silva deixa um "guião" sobre aquela que deve ser a atuação do Presidente da República em tempos de crise, sustentando que além do conhecimento rigoroso da dimensão e das razões da crise, "a obediência a uma cultura de responsabilidade" impõe ao chefe de Estado que "não se deixe influenciar pelo ruído mediático ou pelas pressões de grupos ou corporações".

Neste texto, o Presidente da República diz ainda que a situação política tem merecido a sua "permanente atenção e acompanhamento", defendendo que a execução do programa de ajustamento exige solidez na coligação governativa e "muito beneficiaria" com um consenso político alargado.

A dirigente do BE considerou que este texto assinado pelo chefe de Estado provoca "perplexidade", porque, acrescentou, revela alguém que "só está centrado no seu desempenho e aparentemente está apenas preocupado em como corre o seu mandato".

"O senhor Presidente apresenta um texto que não responde à situação do país e é uma figura ausente do debate político em Portugal nesta situação difícil", notou.

Ana Drago lembrou que "há dois anos, no seu discurso de tomada de posse", Cavaco disse que havia "limites para os sacrifícios", mas advogou que "hoje não se ouve a sua voz".

"Hoje temos um aumento de impostos brutal, uma descida dos salários que é brutal, uma pobreza histórica e o colapso da economia portuguesa e o senhor Presidente consegue justificar o silêncio e a inação como uma forma de ação política, porque está mais preocupado em como vai ficar na História", criticou.

Na opinião de Drago, "palavras de circunstância não são suficientes" e "é preciso perceber o contexto social", porque, adverte, "está-se a destruir o futuro do país" com este "ataque ao regime social e político".

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