BIC "foi o único a candidatar-se"

O ex-administrador do BPN Norberto Rosa disse hoje no Parlamento que o acordo com a 'troika' obrigava a que a Caixa encontrasse um comprador até 15 de julho do ano passado, o que limitou qualquer outra solução que não fosse o BIC, já que foi o único a apresentar candidatura.

Norberto Rosa, que está a ser ouvido no âmbito da segunda comissão de inquérito à nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN), afirmou perante os deputados que foi difícil ao conselho de administração do BPN e à gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) manter um banco em processo de reprivatização e com um Governo de gestão.

O ex-administrador do BPN e atual administrador da CGD disse também que colocou à disposição do Governo de gestão da altura, liderado por José Sócrates, várias opções para o futuro do BPN, mas que as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia e Banco Central Europeu, ?obrigaram? a opção de venda num curto espaço de tempo.

A 'troika' optou pela venda do BPN a 27 de abril de 2011 e iniciou-se novo processo de reprivatização com um Governo de gestão, disse Norberto Rosa, acrescentando que o acordo com a comissão de resgate a Portugal ?estabelecia a obrigação de encontrar um comprador até 15 de julho 2011.

Durante esse período de tempo, o Banco Internacional de Crédito (BIC) ?apareceu como o único candidato, vindo a assinar com o Estado um contrato-promessa a 31 de julho.

Perante a urgência do processo, Norberto Rosa adiantou que era expetável que viessem a exigir garantias por parte do vendedor, numa altura em que o BPN necessitava de uma recapitalização de 600 milhões de euros e degradava a sua situação patrimonial e financeira de dia para dia.

Aliás, o ex-administrador do BPN frisou que, desde a nacionalização, que ?houve uma progressiva redução de recursos, acrescentando que tanto ele como os seus colegas geriram o BPN por mais de três anos, mas sempre com um limite temporal [de gestão] de três meses.

Os antigos responsáveis da Caixa Geral de Depósitos (CGD) Norberto Rosa e Francisco Bandeira são hoje ouvidos na comissão parlamentar de inquérito à nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN).

Norberto Rosa, que foi administrador financeiro da CGD e que acumulou funções na gestão do BPN, começou a ser ouvido pelas 10:00.

Já a audição do presidente do conselho de administração do BPN, após a nacionalização do banco, e antigo vice-presidente da CGD, Francisco Bandeira, está marcada para a tarde, pelas 16:00.

A atual comissão de inquérito ao BPN foi decidida em meados de março, por consenso entre as iniciativas do PS, com a concordância do PCP, do Bloco de Esquerda, dos Verdes (PEV), e da maioria PSD/CDS-PP, num processo que obrigou à intervenção da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves. Esta é já a segunda comissão parlamentar dedicada ao caso BPN, depois da realizada em 2009.

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