BE questiona permanência do secretário-geral do SIRP

Bloco exige explicações a Passos Coelho sobre a continuidade do secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa.

A deputada do BE Cecília Honório defendeu hoje que o primeiro-ministro deve esclarecer por que é que mantém a confiança no secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), cuja posição considera "profundamente fragilizada".

"Dado que a tutela dos serviços de informações é do primeiro-ministro, cabe ao primeiro-ministro fundamentar as razões da sua confiança relativamente à permanência do secretário-geral dos serviços de informações", afirmou Cecília Honório.

A deputada falava aos jornalistas no final da audição ao secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira, que decorreu à porta fechada e durou cerca de hora e meia.

Cecília Honório considerou que a participação do diretor dos Serviços de Informações de Segurança, Horário Pinto, na operação de "limpeza eletrónica" feita pelo SIS no gabinete do presidente do Instituto de Registos e Notariado (IRN), António Figueiredo, "fragiliza mais uma vez os serviços de informações da República".

"E é nosso entendimento que os diferentes episódios que vamos conhecendo, desde o que envolveu o ex-diretor do SIED até mais recentemente o diretor do SIS são suficientemente preocupantes para fragilizarem profundamente o senhor secretário-geral dos serviços de informações cujas condições de permanência nós gostaríamos de questionar", disse.

Instada a clarificar se o BE defende a demissão do secretário-geral do SIRP independentemente dos esclarecimentos que o primeiro-ministro venha ou não a dar sobre o caso, Cecília Honório respondeu que o BE vai aguardar pela resposta de Passos Coelho. "O primeiro-ministro deve ser rápido no esclarecimento para que a opinião pública possa ficar tranquila", disse.

A proposta para ouvir Júlio Pereira na Comissão de Assuntos Constitucionais sobre o caso em que agentes do SIS foram observados pela PJ no gabinete do presidente do Instituto de Registos e Notariado - preso preventivamente no caso 'vistos gold' -, partiu do Bloco de Esquerda e teve os votos favoráveis do PSD, CDS e PCP.