BE quer explicações sobre integração de Silva Carvalho

O BE disse hoje que vai questionar por escrito o primeiro-ministro sobre a integração de Jorge Silva Carvalho na Presidência do Conselho de Ministros, quando este é alvo de processos judiciais, num caso "muito grave para a democracia".

"O primeiro-ministro tem a tutela dos serviços de informações e nós queremos que o primeiro-ministro responda cabalmente, porquê agora, porque é que o pedido feito há tanto tempo pelo ex-diretor do SIED teve agora um sim, acho que é um aspeto interessante, porquê a demora e o que o justifica e simultaneamente as condições e os critérios", declarou a bloquista Cecília Honório.

A vice-presidente da bancada do BE, que falava aos jornalistas no Parlamento, adiantou que a pergunta dirigida ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, será entregue na quarta-feira no Parlamento.

O Governo determinou a criação de um posto de trabalho na Presidência do Conselho de Ministros (PCM) para o "ex-espião" Silva Carvalho, envolvido no caso das secretas, porque este "preencheu os pressupostos de aquisição de vínculo definitivo ao Estado".

De acordo com um decreto publicado hoje em Diário da República, "determina-se a criação de um posto de trabalho no mapa de pessoal da secretaria-geral da Presidência do Conselho de Ministros" para o ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) Jorge Silva Carvalho.

Cecília Honório considerou que "a lei concede de facto muitas garantias e tem de ser alterada" e defendeu que "há uma avaliação política a fazer de responsáveis que foram ignorando sinais tão perigosos" nos serviços de informações.

"Estamos perante um caso muito grave para a democracia, numa história de promiscuidade entre uma grande empresa e os serviços de informações e vamos fazer perguntas a quem tutela os serviços de informações", declarou.

A deputada do BE disse nunca ter entendido "como é que, perante tantos sinais dados por estes responsáveis e tantas irregularidades, os responsáveis, nomeadamente o próprio secretário-geral [das secretas], não tenham agido em conformidade".

"O país não percebe como é que, com tanto desemprego, o ex-diretor do SIED, que é suspeito de utilização indevida de dados pessoais, de abuso de poder e de violação do segredo de Estado, tem um emprego garantido na PCM", ironizou.

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