BE promete campanha com "clareza" mas sem calar denúncia

O coordenador do BE João Semedo garantiu hoje que o partido fará uma campanha com "clareza" e "frontalidade", dizendo ao Presidente da República para que se desengane "se está a pensar em consensos para continuar a política de austeridade".

Quarta-feira, o Presidente da República, Cavaco Silva, apelou a uma campanha eleitoral para o Parlamento Europeu "esclarecedora, serena e elevada", sublinhando que um agravamento da crispação partidária poderá prejudicar entendimentos que se venham a revelar indispensáveis no futuro".

Hoje, no Porto, à entrada para o colóquio "PMA: Presente e Futuro. Questões emergentes nos contextos científico, ético, social e legal", João Semedo garantiu que o partido fará uma campanha em torno dos valores "da clareza, da transparência e da frontalidade", considerando que a clareza não impede "os consensos que forem necessários estabelecer".

"Agora se Cavaco Silva está a pensar em consensos para continuar a política de austeridade, da nossa parte pode-se desenganar porque para o Bloco de Esquerda consensos são contra a austeridade. Chega de austeridade, chega de subserviência relativamente aos credores. Aliás, tivemos a oportunidade de dizer isso ao Presidente da República", alertou.

O coordenador do BE promete uma campanha "determinada, empenhada, mobilizada mas em torno do combate à austeridade, às políticas da 'troika' e por um referendo ao tratado orçamental, que é a lei mãe de toda a austeridade".

"Todas as intervenções políticas do Presidente da República são agora centradas nesse desejo de consenso, de reconstrução do bloco central, que é um centrão da austeridade. O Bloco de Esquerda não faz parte desse centrão, não quer fazer parte, existe para combater esse centrão", enfatizou.

João Semedo foi perentório: "Não calaremos a nossa denúncia e a nossa recusa a esse consenso em torno da austeridade, que é aquilo que o Presidente da República tem vindo a propor aos portugueses".

Sobre o facto do Manifesto dos 70, que apela à reestruturação da dívida pública e que recebeu o apoio de mais de 70 personalidades estrangeiras, na maioria economistas de renome internacional, o deputado bloquista considerou que "em Portugal e na Europa cresce o consenso do bom senso".

"Nós o que achamos de notável nestes dois manifestos é a evidência de como se alargou hoje este consenso em torno da inevitabilidade de pôr termo a esta política de austeridade e de renegociar e reestruturar uma dívida que o país não está em condições de pagar de acordo com o que os credores nos impõem", enfatizou.

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