BE insiste em responsabilidade de Franquelim, que fala em "teia monstruosa" no BPN

O Bloco de Esquerda insistiu hoje que Franquelim Alves não tem condições para continuar a ser secretário de Estado, devido ao caso BPN, mas o governante sublinhou que a "questão é complexa" devido à "teia monstruosa" que ocultava os problemas.

A deputada do Bloco de Esquerda Ana Drago criticou Franquelim Alves, que foi apresentado pelo ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, como "um herói" na denúncia e combate à fraude da maior "história de criminalidade financeira conhecida em Portugal", por ter protelado as questões que eram colocadas pelo Banco de Portugal (BdP).

"Disse que foi parte atuante na denúncia, mas assinou contas que admitiu estarem irregulares e não se conhece até hoje uma carta de denúncia", criticou a deputada bloquista, afirmando que a administração a que pertenceu Franquelim Alves "protelou e adiou questões que eram colocadas pelo Banco de Portugal", apontando cartas trocadas entre esta entidade e a administração de Abdul Vakil a quem atribuiu "uma estratégia de ocultação".

Ana Drago afirmou ainda que Franquelim Alves decidiu assinar contas que sabia serem irregulares "porque as consequências seriam o colapso do grupo", questionando se é "ética e politicamente aceitável calar, esconder" as informações que eram pedidas pelo Banco de Portugal e colocar a sua assinatura nestas contas.

Franquelim Alves reiterou ter desempenhado "como sabia, da melhor forma e com responsabilidade" as funções que manteve na "curta passagem" pelo BPN, assinalando que a "questão é super complexa" porque estava montada "uma teia monstruosa" para "dissimular a real dimensão dos problemas" e que escondia "um crime de grandes dimensões".

"É fácil 'à posteriori' ter a perceção de que tudo encaixava", contra-atacou o governante, insistindo que contribui para comunicar o caso ao BdP e "tentar salvar o que se podia recuperar do grupo".

"Sinto que cumpri as minhas obrigações, não tive nada a ver com as fraudes, os crimes e não aceito que me queiram confundir com essa situação", acrescentou.

Também o PS, pela voz de Ana Vitorino, e o PCP voltaram a pôr em causa a credibilidade do secretário de Estado, que teve em sua defesa o deputado social-democrata Paulo Baptista Santos que reagiu aos ataques, salientando que Franquelim Alves foi nomeado por José Sócrates para um grupo de trabalho e criticando o Bloco de Esquerda que "apoia um autarca" acusado de falsificação e o PCP, "grandes paladinos do moral", que nada disse sobre um autarca de Palmela que se reformou aos 47 anos.