BE diz que Governo insiste na austeridade

O líder do BE disse hoje ter apresentado ao Governo propostas para a economia e o emprego mas confessou "não ter expectativa" de que este as aceite, porque o executivo "insiste na austeridade e resignação perante a dívida".

"Apesar das limitações da reunião, na qual não estiveram nem o ministro Vítor Gaspar, nem o ministro Paulo Portas, o primeiro, que manda efetivamente no que determina a política do Governo, e o segundo, que parece que quer mandar, entendemos que deveríamos apresentar as nossas propostas e dissemos ao Governo o que temos dito aos portugueses, é hora de acabar com esta política de austeridade e renegociar a dívida", disse João Semedo.

O líder bloquista falava no Palácio de São Bento, no final de uma audiência de cerca de uma hora com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, o ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, o ministro da Presidência, Luís Marques Guedes, o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, e o ministro da Solidariedade, Pedro Mota Soares, sobre o plano de fomento industrial do Governo.

Semedo disse que o encontro com o Governo confirmou a "falta de expectativas" do BE, visto que o executivo PSD/CDS "insiste no caminho da austeridade e da resignação perante a dívida".

"Esse caminho tem conduzido o país ao colapso económico e à situação de emergência social que atinge milhares de famílias, não é esse o nosso caminho", sublinhou.

O líder bloquista adiantou ter entregado aos membros do Governo um caderno com várias propostas, que também foi distribuído aos jornalistas, e disse que estas são totalmente opostas às do executivo e implicam "a demissão do próprio Governo".

"O Governo insiste em pagar juros e uma dívida que o BE considera que é necessário renegociar, o Governo insiste em baixar pensões e reformas e nós insistimos que é necessário atualizar pensões e reformas, o Governo insiste em cortar salários e nós insistimos que é preciso requalificar a administração pública, o Governo insiste em reduzir o Estado social aos mínimos e nós insistimos que é necessário modernizar o Serviço Nacional de Saúde e a escola pública, o Governo insiste numa lei de despejos e nós insistimos na suspensão da lei das rendas", apontou.

Questionado sobre qual o objetivo de uma reunião com duas partes com posições tão antagónicas, João Semedo afirmou que esta "serve e serviu para o BE reafirmar as suas propostas".

Já sobre se não existe qualquer hipótese de consenso, o coordenador do BE respondeu: "Eu julgo que o Governo está mais preocupado com o consenso interno".

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