BE com um dia à Sérgio Godinho: paz, pão, habitação, saúde, educação

Catarina Martins visita escola profissional em Fátima e centro hospitalar em Coimbra. E pede silêncio a Bruxelas.

"Não deixe que a desilusão com quem o deixou mal seja uma desilusão com a democracia." A frase resume a arruada do Bloco de Esquerda (BE) ontem em Coimbra. Catarina Martins encabeçava um pelotão de cerca de 50 unidades quando foi interpelada por um homem inconformado com o rumo do país. De boina na cabeça e barba grisalha, o senhor quis felicitar a porta-voz bloquista. "Por ser das políticas de que não me envergonham enquanto português", explicou já perto da Praça do Comércio, onde a ação termino. Confessou que não ia votar, mas não conteve uma segunda vaga de elogios.

"O que está em causa é que a vossa postura dignifica este país. É uma mãe e é um exemplo de que as mães portuguesas se devem empenhar na política e neste país, porque este país tem futuro. Não sei qual é mas tem seguramente futuro", acrescentou, para gáudio da caravana do BE, em que estava também José Manuel Pureza, o cabeça de lista naquele distrito, que após a hecatombe eleitoral de 2011 quer regressar ao Parlamento.

Na rua, o clima tem sido esse. Os cidadãos procuram, tocam e encorajam a "pequena Catarina", "de alma grande" e que "faz aquele barulho todo" em Lisboa, como também se ouviu na caminhada pela Baixa da cidade do Mondego.

E se a porta-voz bloquista tem procurado estancar qualquer tendência de voto útil - enquanto se diz disponível para acordos com António Costa, também traça as suas linhas vermelhas e desfere ataques aos socialistas -, há quem peça uma estratégia diferente. "Não digo que não falem no Costa - falem dos partidos todos -, mas falem mais no Coelho! Ponham-no de lá para fora", pede uma idosa quando se cruza com a barulhenta caravana. "É esse o nosso objetivo", devolve, de pronto, Catarina.

Duas horas antes, a líder do BE estivera no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. De rosa amarela na mão, cortesia de Luís Cunha, diretor daquela unidade de saúde, justamente por a cor não ter qualquer conotação política, visitou a unidade de acidentes vasculares cerebrais e esteve reunida com a administração, tendo no final sublinhado que "precisamos de respeitar os profissionais do SNS porque precisamos que todo o investimento, todo o conhecimento, tudo isto que é o melhor que nós construímos na democracia seja protegido", alertou.

"Temos aqui o relato de profissionais que fazem milagres todos os dias com poucas condições e que têm salários e carreiras que não os respeitam", disse a líder bloquista.

À margem dessa iniciativa, Catarina pediu absoluto silêncio a Bruxelas até domingo. Em reação a um relatório que a Comissão Europeia divulgou ontem sobre reformas fiscais nos Estados membros, em que defendia haver margem para aumentar o IMI e impostos sobre o consumo no nosso país, a líder do BE foi assertiva na crítica. "A Comissão Europeia parece não conseguir parar a sua ingerência nas eleições em Portugal, e isso não é admissível", atirou, sugerindo que seria "mais prudente" que até às legislativas o executivo comunitário liderado por Jean-Claude Juncker se abstivesse de "qualquer comentário ou de qualquer relatório" sobre Portugal, visto que "está a meter-se onde não devia".

A manhã foi dedicada à educação. Na Escola Profissional de Hotelaria de Fátima, Catarina Martins ouviu alguns dos 320 alunos daquela casa, que, em parceria com a Câmara Municipal de Ourém, servem 250 refeições diárias. Que o digam João Filipe (17 anos) e Pedro Canário (18), que na copa já tinham descascado mais de 40 kg de batatas.

E houve ainda tempo para uma aula improvisada em que Catarina agitou uma bandeira do partido. "Aos 16 anos as pessoas podem começar a trabalhar, podem pagar impostos, se cometerem um crime são presas e podem até ser mobilizadas para a tropa. E portanto quem pode ter tantas responsabilidades tem de poder escolher, tem de poder votar. E é por isso que o BE tem defendido o voto aos 16 anos." A plateia, entre os 15 e os 18 anos, anuiu. E os poucos que podem votar no domingo registaram.

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